A três dias do primeiro turno das eleições de 2026, o ministro Flávio Dino, do STF, avalia uma medida que pode provocar um novo capítulo na crise entre o Supremo e o TSE: o afastamento dos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça da relatoria de ações sobre propaganda eleitoral no tribunal eleitoral.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, assinada por Luísa Martins, tanto aliados quanto rivais de Dino dentro do STF já admitem essa possibilidade. A medida teria como justificativa um suposto represamento de decisões individuais no TSE sem referendo do colegiado, além de indícios de concentração de poder excessiva nas mãos do presidente e do vice-presidente da corte eleitoral.
O caso ganhou força após o pedido do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que pede o afastamento de Kassio e Mendonça das funções, alegando acúmulo de cargos e atraso na análise de processos urgentes. O requerimento surgiu em meio à guerra de liminares sobre publicações envolvendo uma suposta intenção de Flávio Bolsonaro (PL) de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil — episódio que já gerou decisões conflitantes entre Dino, Mendonça e Fux nos últimos dias.
De acordo com a Folha, interlocutores de Dino afirmam que ele ainda estuda o requerimento e pode solicitar ao TSE dados oficiais sobre decisões pendentes de referendo antes de decidir. Já Kassio nega qualquer represamento e teria dito a auxiliares que um eventual afastamento seria prova de que Dino age como um "agente do caos".
A possível decisão ocorre num momento de alta tensão institucional, às vésperas da votação de domingo (4/10), e pode aprofundar o atrito entre STF e TSE justamente na reta final de uma das eleições presidenciais mais disputadas dos últimos anos.