O governador do Tennessee, Bill Lee, anunciou nesta quinta-feira (1º) a suspensão de todas as execuções no estado até o fim do ano, após a detenta Christa Pike sobreviver a uma tentativa de execução por injeção letal na noite de quarta-feira (30).
"Estou profundamente decepcionado, assim como os moradores do Tennessee, com o que aconteceu na noite passada", disse Lee. O governador determinou uma auditoria externa independente para "determinar exatamente o que aconteceu" e não divulgou informações sobre o estado de saúde atual da detenta.
Pike, de 50 anos, foi condenada à morte em 1996 pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, crime cometido em 1995 quando ela tinha 18 anos. Ela seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos, após a Suprema Corte dos Estados Unidos autorizar a aplicação da pena horas antes do procedimento.
A execução foi realizada por volta das 20h (horário local) na Penitenciária de Segurança Máxima de Riverbend, em Nashville. Segundo seus advogados, Pike recebeu duas doses de pentobarbital e, mesmo assim, não morreu. Uma petição de emergência apresentada pela defesa afirmou que "a sra. Pike perdeu a consciência, mas ainda tem batimentos cardíacos e está roncando audivelmente". Ela foi levada de ambulância a um hospital, onde passou a receber medidas de suporte à vida.
O Departamento de Correção do Tennessee afirmou que "seguiu exatamente o protocolo" estabelecido e aprovado pelo gabinete do procurador-geral do estado.
Robin Maher, diretora do Centro de Informações sobre a Pena de Morte, classificou o caso como "o pior que já vimos" e disse não haver precedentes para uma execução fracassada dessa forma na era moderna.
Esta é a segunda tentativa de execução frustrada no Tennessee neste ano. Em maio, autoridades penitenciárias cancelaram a execução de Tony Carruthers, condenado por três assassinatos em 1994, depois de a equipe não conseguir encontrar uma veia adequada para aplicar a injeção, após mais de uma hora de tentativas.
Com a suspensão anunciada por Lee, outra execução prevista para ocorrer ainda em 2026 no estado também fica suspensa até a conclusão da revisão dos protocolos.