A prioridade do PL, partido de Flávio Bolsonaro, em conquistar a presidência do Senado para ter o poder de abrir processos de impeachment contra ministros do STF pode facilitar a vida do Centrão na Câmara dos Deputados.
Embora deputados do PL mirem o comando da Câmara, lideranças do partido admitem, nos bastidores, a possibilidade de negociar o posto com partidos de centro aliados para garantir a presidência da Casa Legislativa vizinha.
Um dos partidos cotados para um acordo seria o PP de Ciro Nogueira. O acerto colocaria um nome da legenda no comando da Câmara, enquanto a sigla entregaria votos para eleger um bolsonarista à presidência do Senado.
Nos bastidores, lideranças do PL dizem não ver com maus olhos a possibilidade de o atual líder do PP na Câmara, deputado Dr. Luizinho (RJ), ser indicado para o comando da Casa na disputa marcada para fevereiro de 2027.
Luizinho foi o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro nas eleições de 2026. O parlamentar, porém, é aliado do atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), que já se articula para tentar reeleição ao cargo.
A possibilidade de o PL apoiar Motta, no entanto, está descartada por ora. Além de ter apoiado Lula na eleição presidencial, Motta desagradou parte da direita, que diz “traída” pelo excesso de pautas governistas na Casa.
Há ainda a possibilidade inversa, mas que não anima tanto alas do PL: a sigla cederia a presidência do Senado para um nome do PP, como é o caso da senadora Tereza Cristina (MS); em troca, receberia o comando da Câmara.
Igor Gadelha - Metrópoles