Sobre Moraes, por outro lado, pesam gravíssimas suspeitas criminais, reveladas pelo contrato multimilionário do Banco Master com o escritório de sua mulher e por mensagens em que Daniel Vorcaro lhe pedia intervenções na PF e na PGR. Quase um ano depois das primeiras revelações, o Supremo nem sequer examinou o mérito do pedido de investigação. Moraes, que já deveria estar afastado, segue exercendo poderes excepcionais sobre a liberdade alheia. O contraste é escandaloso.
De quebra, Moraes entregou a Flávio munição política preciosa. Sem a ordem sobre os passaportes, a partida do senador após a derrota seria um embaraço que ele teria de explicar. Com ela, ganhou uma história para contar: a do exílio, não da fuga; da perseguição política, não da persecução penal.
O prejuízo maior recai sobre a confiança na Justiça. Cada decisão que parece nascer de antagonismos ou revanches pessoais reforça a suspeita de que, no Brasil, a sorte de um investigado depende de quem o julga. O STF acumulou poderes imensos para defender a Constituição; precisa mostrar que aceita os limites que ela lhe impõe. Flávio deve responder pelo descumprimento da ordem e pelas suspeitas que o atingem. Moraes deve responder pelos gravíssimos indícios de crime que pairam sobre si. É apenas lógico que a sociedade suspeite de cada decisão do ministro, quando tantas suspeitas sobre ele seguem sem resposta.