Aliados do presidente Lula temem que o resultado do primeiro turno das eleições altere o ritmo de tramitação no Senado da PEC que acaba com a escala 6×1. A notícia é do Metrópoles.
A preocupação é que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), apesar de ter anunciado a votação da proposta para esta terça-feira (6/10), acabe desacelerando o ritmo da tramitação diante do novo cenário político.
Reaproximação entre Lula e Alcolumbre já destravou votações, mas ainda não alcançou PECs prioritárias do governo
Lula e Alcolumbre sentaram lado a lado, mas não conversaram durante posse de Nunes Marques como presidente do TSE
O presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na cerimônia de posse de Odair Cunha no TCU.
Alcolumbre anunciou na sexta-feira (2/10) que a PEC nº 221/2019 será discutida no plenário do Senado a partir de terça. A proposta prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, além da adoção de dois dias de descanso remunerado por semana.
O anúncio foi recebido pelo governo como um gesto importante de Alcolumbre, sobretudo porque a medida é uma das principais bandeiras eleitorais de Lula. Nos bastidores, aliados do presidente avaliam que a aprovação da proposta poderia dar ao petista um novo argumento na campanha para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O cenário, porém, mudou com o resultado das urnas neste domingo (4). Com 99,99% dos votos apurados, Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, o equivalente a cerca de 56,1 milhões de votos. Lula ficou em segundo, com 45,16%, ou aproximadamente 53,9 milhões de votos.
A avaliação entre aliados do governo é que a vantagem de Flávio pode criar uma nova variável nas articulações do Senado. Alcolumbre pretende disputar a reeleição à presidência da Casa em 2027 e, diante do avanço da direita nas urnas e da força do PL no novo Senado, precisará também construir pontes com a oposição para manter sua posição.
Esse fator alimenta a preocupação de governistas de que o presidente do Senado possa, na prática, desacelerar o calendário da PEC.