A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) afirmaram nesta sexta-feira (9/10) que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, não prestou depoimento com o teor relatado pela revista Veja sobre o financiamento de um filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A PGR declarou que não houve depoimento oral de Vorcaro durante as tratativas de colaboração premiada. Segundo a nota, as negociações para um eventual acordo foram conduzidas exclusivamente por advogados contratados pelo investigado, sem contato direto entre ele e representantes do órgão. "Não houve depoimento oral de Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa", afirmou a Procuradoria.
A PF, por sua vez, afirmou não ter recebido da defesa de Vorcaro anexos, documentos ou informações com o conteúdo descrito na reportagem da Veja, intitulada "Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo". A corporação esclareceu ainda que as propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa do empresário não foram aceitas por não atenderem aos requisitos legais exigidos.
A reportagem da Veja havia afirmado que Vorcaro, em áudio e em anexo levado à PGR em junho, relatou ter pago cerca de R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto, para financiar o documentário Lula, de Oliver Stone, em troca de acesso a fundos de pensão de estatais controlados pelo PT, com intermediação do ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto.
Segundo apuração do UOL, esse documento específico não foi incorporado a nenhuma das três propostas de delação premiada formalizadas pela defesa de Vorcaro. A reportagem também apontou que, no conteúdo extraído do celular do ex-banqueiro — apreendido pela PF em novembro de 2025, com registros entre julho de 2012 e a data da prisão —, não há nenhuma menção a pagamento ou patrocínio ao documentário sobre Lula, período que coincide com a produção do filme, realizada entre 2022 e 2023.
Fontes da PGR e da PF ouvidas pelo UOL negaram a existência do documento citado pela Veja, disseram desconhecer a gravação divulgada e atribuíram a divulgação da reportagem a uma tentativa da defesa de Vorcaro de influenciar o processo eleitoral.
O Instituto Lula negou ter recebido qualquer quantia de Vorcaro. A campanha de Lula classificou a reportagem como "irresponsável" e disse ser "estarrecedor" que a revista publicasse "acusações gravíssimas sem apresentar uma única prova".