O plano do governador eleito, Cadu Xavier, inclui a proposta de elevar em 20 pontos percentuais a alíquota contributiva previdenciária dos órgãos autônomos e Poderes estaduais — abrangendo o Tribunal de Justiça, a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Contas e o Ministério Público —, fazendo com que o desconto passe dos atuais 27% para 47%.
A viabilidade da medida, contudo, carece de pactuação prévia com os respetivos dirigentes institucionais, sendo provável a objeção das cúpulas dos Poderes caso a exigência não seja acompanhada de reformas estruturais amplas.
Para que haja margem de negociação com os demais Poderes, a proposta deveria integrar um plano de austeridade global que contemple a contenção de custos na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), a desestatização da Companhia de Águas e Esgotos (CAERN) e a redução do número de secretarias estaduais.
O futuro gestor assume a administração sob o peso do passivo financeiro acumulado na gestão de Fátima Bezerra — para o qual concorreu diretamente —, o que limita a sua margem de manobra política para imputar o défice orçamental exclusivamente a terceiros.