Confesso: foi um veraneio fraco. Pobre de acontecimentos. Culpa direta das canetas de emagrecimento. O povo ficou fitness, bebeu menos, brigou menos, traiu menos. Sem álcool não tem chifre, sem chifre não tem barraco. Resultado: todo mundo educado demais. Faltou barracos, brigas e constrangimentos.
O natalense continua com a cabeça limitada: praia só existe entre o Natal e 31 de janeiro. Passou disso, acabou o verão por decreto informal. Agora a Faixa de Gaza, o Porto Brasil, o Cortiço da Sociedade Decadente de Muriú, o Piscinão de Ramos, os periféricos de Búzios e Tabatinga fazem o êxodo de volta à capital. Lisos, devendo, cartão estourado e a fatura parcelada em doze vezes de arrependimento.
Janeiro foi embora levando o dinheiro, a dignidade e a ilusão. Fica a promessa clássica: “ano que vem vai ser diferente”.
Os de bom gosto correm para fazer a matrícula na Hilife. Academia com glamour, toalhinha, secador e escova no cabelo das luluzinhas.l. Já quem gosta de sofrimento raiz, toma antitetânica e curte máquina enferrujada, segue fiel na BT Petrópolis.
Lembrando as luluzinhas, quem usa boné e meias de ALO é porque não tem dinheiro. Se tivesse, compraria o casaco, o top e shorts. Aí sim é um investimento.