Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como operador de um esquema de desvio de dinheiro de aposentados e pensionistas e conhecido como “Careca do INSS”, prepara uma proposta de delação premiada que pode atingir diretamente o filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A informação é da coluna de Andreza Matais, no Metrópoles.
Segundo a colunista, a disposição de Careca para colaborar cresceu nas últimas semanas, após familiares virarem alvo das investigações. O caso ganhou novo peso, de acordo com a apuração, com a prisão de Romeu Carvalho Antunes, filho do operador, em dezembro do ano passado, acusado de atuar como braço do pai no esquema.
A coluna relata ainda que a CPMI do INSS mira Tânia Carvalho dos Santos, mulher de Careca. Apesar de um requerimento aprovado para ouvi-la, a oitiva ainda não foi marcada, o que teria aumentado a irritação do investigado e acelerado o movimento de estruturar uma proposta formal de delação com seus advogados.
O ponto mais sensível, conforme Andreza Matais, é que Careca estaria disposto a “entregar” supostos negócios e operações envolvendo Lulinha, citando lobby nas áreas de educação e saúde e até o próprio esquema do INSS. Interlocutores mencionados na coluna afirmam que o material, se aceito e confirmado, pode ampliar a pressão política sobre o governo e abrir nova frente de desgaste para o Planalto.
A colunista também afirma que Lulinha passou a viver em Madri, na Espanha, desde que as investigações avançaram. O filho do presidente não teria comentado o assunto, e Lula falou publicamente sobre o tema em entrevista ao UOL, dizendo ter conversado com o filho e defendendo que ele se explique e responda, se houver algo irregular.
No relato publicado, há ainda detalhes sobre a World Cannabis, empresa ligada à cannabis medicinal na qual Lulinha teria sido contratado para ajudar na articulação política do projeto, com foco em fornecer insumos ao SUS. A coluna cita, com base em um colaborador da PF, a alegação de que Lulinha teria recebido R$ 25 milhões e uma “mesada” de R$ 300 mil, além de mencionar uma viagem a Portugal com despesas pagas por Careca.
A reportagem também aponta que uma eventual delação não atingiria apenas o entorno presidencial. A Polícia Federal investigaria participação de autoridades com foro no caso, entre elas o senador Weverton (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado, segundo a coluna.
Por fim, Andreza Matais registra que há dúvidas sobre a aceitação de uma proposta de delação e que a defesa de Careca nega que ele vá apresentar o acordo.