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O “erro” do governo que levou à quebra do sigilo de Lulinha em CPMI

Integrantes da cúpula da CPMI do INSS apontam os parlamentares da base aliada do governo como os principais “culpados” pela aprovação da quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.

O “erro”, avaliam, começou quando o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) protocolaram pedido de votação em bloco, com o objetivo de derrubar os requerimentos.

A dupla, na visão da cúpula da comissão, estaria “confiante” que rejeitaria os requerimentos devido à maioria que o governo tem na CPMI, mas esqueceu de contar os votos dos presentes no colegiado na sessão da quinta-feira (26/2).

Além disso, tanto governistas quanto a oposição pediram votação nominal antes da deliberação sobre os requerimentos — um “erro” que impediu requisitar a votação nominal no momento da aprovação da quebra de sigilo de Lulinha.

Dessa forma, a votação acabou sendo simbólica. Na checagem dos votos, o presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), contou só sete governistas no plenário, o que seria minoria ante os 31 titulares da comissão que registraram presença.

“Eles foram soberbos. Partiram para uma estratégia que tinha tudo para dar errado”, disse o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

Pimenta, porém, sustenta que o governo tinha maioria no momento da votação. Segundo ele, na hora em que os requerimentos foram votados, havia 14 governistas no plenário ante um total de 21 parlamentares presentes na sala.

”Não houve erro. O que houve foi uma fraude. E por isso nós vamos representar no Conselho de Ética contra o presidente da comissão”, afirmou o deputado do PT do Rio Grande do Sul.

De acordo com Pimenta, ex-ministro da Secom do governo Lula, o regimento interno prevê que, na hora da votação de requerimentos, ganha quem tiver a maioria dos presentes, e não maioria do total de membros da comissão.

“O regimento é claro no sentido de que o contraste da votação simbólica se dá por maioria ou minoria entre os presentes. Portanto, foi 14 a 7 a votação. Está aqui, no art. 14, inclusive: maioria dos votos presentes entre a maioria dos seus membros. Não existe essa interpretação de que o quórum seria o quórum total. Isso não tem previsão regimental”, disse Pimenta na sessão.

Erro repetido
Membros da cúpula da CPMI do INSS apontam que Randolfe e Pimenta “repetiram” o mesmo erro da votação que escolheu o senador Carlos Viana (Podemos-MG) para a presidência da comissão, em agosto de 2025.

Na eleição para o comando da CPMI, os governistas haviam acertado com o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), que o presidente do colegiado seria o senador Omar Aziz (PSD-AM).

Entretanto, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), articulou junto ao Centrão na madrugada antes da votação e conseguiu aprovar a indicação de Viana como presidente e Alfredo Gaspar como relator.

Líder do governo reage
Randolfe Rodrigues também reagiu às críticas da oposição e ao que considera como uma manobra. Para o líder do governo, houve uma “jogada sorrateira dos parlamentares de oposição para proteger os seus aliados criminosos”.

“Não há problema em se investigar o filho do presidente, ele próprio já se pronunciou nesse sentido, o que não admitimos é que seletivamente deixemos de investigar o senhor Fabiano Zetel, sócio de Vorcaro e doador da campanha de Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e sua sócia Letícia Caetano dos Reis, Ibaneis Rocha, Zema Crédito, entre outros, claramente ligados as fraudes no INSS e Banco Master”, afirmou o senador em nota.

Igor Gadelha - Metrópoles

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