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Dono do Banco Master, Vorcaro pode ser solto só na segunda-feira (1º/12). Entenda
economia

Master: Vorcaro esteve 17 vezes no Banco Central após alertas sobre risco de liquidez

O CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, visitou o Banco Central (BC) em 17 ocasiões distintas no ano passado, quando a instituição já havia sido alertada pelo órgão regulador sobre a possibilidade de sofrer sanções pelo crescente risco de liquidez. As agendas se deram entre fevereiro e outubro de 2025, pouco mais de um mês antes da liquidação do Master pelo BC e da prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF).

Os dados foram obtidos pela equipe da coluna através da Lei de Acesso à Informação (LAI). Como mostramos no mês passado, o primeiro alerta do Banco Central sobre a dificuldade de captar recursos para sanear as contas do Master se deu em novembro de 2024, quatro meses antes do anúncio da tentativa de compra pelo Banco BRB, e o risco de adoção de “medidas prudenciais preventivas”.

Segundo as informações fornecidas pelo BC, as agendas se deram na sede da autarquia, em Brasília, e também na unidade de São Paulo. As reuniões ocorreram no gabinete do presidente, Gabriel Galípolo, na Diretoria de Fiscalização, comandada por Aílton de Aquino, e outras divisões como o Departamento de Supervisão Bancária e a Coordenação-Geral de Inteligência Financeira.

Nesse período, Vorcaro esteve no BC pelo menos uma vez. A resposta da autarquia ao pedido de LAI não detalha com quais autoridades ele se reuniu, apenas as unidades que o receberam. Foram 18 agendas na Presidência, presumivelmente com Galípolo, e 17 ocasiões com a Diretoria de Fiscalização. Aquino, que está à frente do setor, teria pressionado o BRB a comprar carteiras do Master que se revelaram fraudadas, como publicamos.

Várias datas coincidem com movimentações de grande relevância no processo que levou à liquidação do Master.

A equipe da coluna cruzou as agendas com a cronologia do caso informada pelo Banco Central em resposta enviada ao Tribunal de Contas da União (TCU) no fim de dezembro, quando o ministro Jhonatan de Jesus levantou dúvidas sobre a celeridade da autarquia na fiscalização do Master e os critérios técnicos que embasaram o processo de liquidação. Os dados estão em um parecer sigiloso de auditores do tribunal que analisaram a manifestação do BC.

No 8 de abril, quando Vorcaro esteve na representação do BC em São Paulo pela manhã, o Banco Central notificou o banqueiro de que “as ações implementadas até aquela data eram insuficientes para mitigar o risco de liquidez do conglomerado”, segundo informação prestada ao TCU. Naquela época, o Master tinha parado de realizar os depósitos compulsórios ao BC, obrigação de todos os bancos. Na ocasião, o então CEO assinou um termo de compromisso que exigia a recomposição imediata de liquidez.

Houve outra reunião no dia seguinte, no horário do almoço, desta vez com a Diretoria de Fiscalização. Antes disso, Daniel Vorcaro já havia visitado o BC em cinco ocasiões diferentes desde o início do ano.

Exatamente um mês após a reprimenda do Banco Central, outra convergência de datas. O regulador registrou em 8 de maio uma visita de Vorcaro ao gabinete da presidência do BC. Na mesma data, o Master protocolou um pedido para que a autarquia suspendesse temporariamente o recolhimento compulsório de depósitos à vista e a prazo do banco. A solicitação foi rejeitada.

Dois meses depois, em julho de 2025, o Banco Central detectou as primeiras irregularidades na compra de carteiras de crédito do Master pelo BRB, incluindo um “grande volume de operações suspeitas e desprovidas de comprovação financeira” que basearam o esquema fraudulento para maquiar que os papeis do banco não tinham lastro. O Ministério Público Federal (MPF) foi acionado, o que deu início à investigação criminal que levou a cúpula do Master para a cadeia meses depois.

Sob pressão do regulador, Vorcaro voltou a se reunir com Galípolo e Aquino em 22 de julho. Dois dias depois, o BC autorizou a transferência do controle do Banco Voiter (atual Banco Pleno) para seu então sócio, Augusto Lima, como parte da reestruturação do conglomerado na tentativa de consolidar a venda para o BRB, que à época dividia a diretoria colegiada do regulador.

O negócio, como se sabe, não foi adiante. Em 3 de setembro, o BC rejeitou por unanimidade o negócio. No dia seguinte, Vorcaro se reuniu com a Coordenação-Geral de Inteligência Financeira em São Paulo. Nesta data, segundo o documento do TCU, o banqueiro assinou um novo termo de compromisso que exigia a recomposição da liquidez da instituição no prazo de dois dias úteis diante do veto à compra pelo banco estatal de Brasília (o prazo acabaria estendido até 30 de setembro) e prorrogava para outubro a assistência financeira de liquidez garantida pelo FGC.

A última reunião documentada de Daniel Vorcaro no Banco Central ocorreu em 1º de outubro com a Diretoria de Fiscalização e o Departamento de Supervisão Bancária. Quarenta e oito dias depois, o Master estava liquidado.

Procurada para comentar as agendas, a defesa de Vorcaro não se manifestou até o fechamento da reportagem. O espaço segue aberto.

Malu Gaspar - O Globo

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