O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou, durante sessão da CPMI do INSS, que a comissão enfrenta tentativas de “sabotagem” e que “está tudo dominado” em Brasília. No pronunciamento, ele elogiou a postura do presidente do colegiado, senador Carlos Viana, e criticou parlamentares ligados à base do governo Lula por, segundo ele, acusarem a presidência de “blindar requerimentos” na condução dos trabalhos.
Girão citou como exemplo um pedido de quebra de sigilo envolvendo um dos nomes mencionados nas investigações, que, segundo ele, foi apresentado há duas semanas na CPI do Crime Organizado e ainda não teria sido votado. O senador questionou por que a cobrança recai sobre a CPMI do INSS e não sobre a condução daquela CPI, e disse que, enquanto sessões teriam sido canceladas em outro colegiado, a CPMI do INSS estaria mantendo a agenda.
No discurso, Girão também mencionou a articulação de medidas políticas, incluindo a defesa de um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes e o afastamento de Davi Alcolumbre, a quem atribuiu resistência à prorrogação da comissão. Ele citou ainda, como “pergunta legítima”, a presença de um assessor identificado por ele como Paulo Bodens, apontado como consultor político no Senado, e associou o nome a suspeitas que disse constar de cruzamentos de dados da Polícia Federal envolvendo descontos ilegais.
O senador criticou decisões do STF relacionadas a CPIs, afirmando que o tribunal teria aberto margem para que depoentes deixem de comparecer, e atacou a postura de ministros do Supremo diante de vazamentos de mensagens e de discussões sobre privacidade. Ao final, pediu que Carlos Viana não desista da CPMI e defendeu que, mesmo sem apoio para prorrogação, a presidência busque medidas judiciais para manter os trabalhos.
Girão sustentou que a comissão “jogou luz nas trevas” ao tratar de descontos e supostos desvios que teriam atingido aposentados, órfãos, deficientes e viúvas, e afirmou que o colegiado estaria “chegando em gente poderosa”. A CPMI do INSS segue em funcionamento e discute os próximos passos, incluindo o calendário de convocações e a possibilidade de extensão do prazo.