A Presidência da República afirmou, em resposta a um pedido pela Lei de Acesso à Informação (LAI), que não produziu atas, registros, gravações, filmagens ou qualquer documentação sobre reuniões realizadas no Palácio do Planalto pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega quando ele já atuava como consultor do banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro.
A informação, divulgada pelo Metrópoles, lança ainda mais dúvidas e suspeitas sobre o encontro, cada vez com mais carater secreto. Afinal, se o presidente enontrou o dono de um banco investigado por fraude bilionária, por que não registrou na agenda e nem o conteudo?
Segundo o Palácio do Planalto, inclusive, a ausência de registros alcança inclusive o encontro em que Vorcaro esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 4 de dezembro de 2024.
A falta de documentação e a ausência desses compromissos na agenda oficial do presidente levantam questionamentos sobre transparência e controle de visitas no núcleo do governo federal. Na prática, sem lista de participantes, sem pauta detalhada e sem qualquer rastro documental, as reuniões ficam blindadas do escrutínio público e podem ser interpretadas como encontros conduzidos de forma reservada, no limite do que se aproximaria de uma “reunião secreta” dentro do Palácio do Planalto.
De acordo com as informações reunidas pela reportagem, Mantega se encontrou ao menos seis vezes com o chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marco Aurélio “Marcola”, sendo quatro dessas reuniões já no período em que o ex-ministro atuava como consultor do Master. Esses encontros aparecem na agenda de Marcola, mas não na de Lula. No compromisso de 4 de dezembro, o registro na agenda do chefe de gabinete não menciona a presença do presidente, apesar de Lula ter declarado ao UOL que participou da conversa.
Além disso, Vorcaro teria ido ao Planalto ao menos três vezes em 2023 e 2024, sem que as visitas constem na agenda oficial. A Presidência respondeu ao pedido de LAI destacando que “não foram produzidas atas, registros, filmagens, gravações ou outros documentos” das reuniões solicitadas, que incluíam atas, listas de participantes, e-mails e eventuais materiais apresentados ou recebidos durante os encontros.
Na entrevista citada, Lula disse que chamou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e afirmou ter prometido ao empresário que não haveria “posição política” na apuração sobre o banco, que seria “técnica”. A reportagem informou que recorreu da negativa de acesso, mantendo a cobrança para que o governo esclareça por que reuniões no coração do Planalto ocorreram sem registros e sem transparência compatível com a administração pública.