Está cada vez mais claro: personagens centrais de escândalos de corrupção não roubam só dinheiro, eles também têm um lado violento, agressivo e ameaçador. Assim como ocorreu com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mensagens em tons de violência também foram registradas em investigações sobre Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS.
Essas mensagens foram citadas pelo deputado federal Marcel Van Hattem, durante a CPMI do INSS. Segundo ele, um ex-funcionário identificado como Edson Claro teria sido ameaçado de morte em episódio atribuído ao investigado conhecido como “Careca do INSS”. Na fala, o parlamentar repetiu a frase que disse constar do relato do caso: “Se você não me entregar os aparelhos e abrir a boca, eu vou meter uma bala na sua cabeça”.
Van Hattem usou o trecho para sustentar que a comissão estaria evitando avançar em convocações e apurações que, segundo ele, poderiam esclarecer o esquema investigado. “Olha o tipo de gente que estão blindando aqui”, disse o deputado, ao criticar parlamentares que, na avaliação dele, rejeitaram requerimentos e “não querem mais investigar” quando surgem possíveis ligações políticas no caso.
No discurso, o deputado citou datas e votações internas da CPMI, afirmou que um requerimento para convocar Edson Claro foi rejeitado e disse que houve mudança de posição de parlamentares após a repercussão do caso. Ele também mencionou outros nomes, como Roberta Luxinger e Daniela Fonteles, como exemplos de pessoas que, segundo sua narrativa, estariam sendo “blindadas” de depoimentos, além de defender o avanço de requerimentos voltados ao sistema financeiro.
DANIEL VORCARO
A gente não pode esquecer que Daniel Vorcaro está preso hoje porque foi flagrado trocando mensagens com "Sicário", um homem que seria responsável por "resolver" desafetos do banqueiro. Ele não só derrubava sites que traziam notícias negativas, como ainda recebia demandas para "dar um corretivo" em jornalistas.