O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, afirmou que a operação da Polícia Federal “está seguindo exatamente os mesmos passos” que a comissão vem adotando “em paralelo” na apuração das fraudes na Previdência. Segundo ele, pessoas alcançadas por mandados e medidas recentes já tinham sido citadas nas investigações da CPMI, e ao menos um dos alvos já havia prestado depoimento à comissão.
Viana disse que a ex-deputada Gorete Pereira foi mencionada “várias vezes”, inclusive pelo relator, e elogiou o ministro André Mendonça e a Polícia Federal pelo avanço das apurações. “Nós estamos passo a passo trazendo mais pessoas para o centro da investigação”, afirmou, ao citar que “já são 14 os presos” ligados ao escândalo e que “outras prisões virão”, sem detalhar prazos.
Ao comentar informações sobre supostos valores movimentados por investigados, Viana afirmou que o montante final ainda não está fechado porque a atuação apontada no INSS teria um “lapso de tempo” de 12 a 15 anos, concentrada em setores ligados a consignados e descontos. Ele disse não se surpreender se as cifras forem maiores do que as já divulgadas e sustentou que a CPMI identificou ao menos três quadrilhas atuando em paralelo dentro da Previdência, “usando os mesmos esquemas e os mesmos servidores”.
O senador também declarou ter “muita clareza” de que novos nomes de servidores públicos aparecerão no centro do caso, ao mencionar pareceres internos que teriam embasado decisões favoráveis aos grupos sob investigação. Ele afirmou que esses pareceres foram produzidos por servidores em diferentes cargos, “inclusive do Dataprev”, e que as apurações caminham no sentido de apontar prevaricação “em vários setores da Previdência brasileira”, com análise de sigilos sob responsabilidade da relatoria.
Na frente dos consignados, Viana disse que a CPMI entra na segunda fase do trabalho, após concentrar a primeira etapa em associações, sindicatos e clubes de desconto. Ele afirmou que o foco agora é entender a engrenagem dos empréstimos consignados, citando um volume de “quase R$ 400 bilhões” emprestados e taxas mencionadas por ele como elevadas, e defendeu mudanças legislativas para reduzir vulnerabilidades do sistema.
Viana declarou que pretende chamar bancos com mais reclamações sobre consignado para explicar como funciona o relacionamento com aposentados e as regras de contratação. Segundo ele, as instituições devem ser ouvidas como “colaboradoras”, não como investigadas, para que a CPMI reúna elementos e proponha normas capazes de evitar novos prejuízos aos beneficiários do INSS.