Nos últimos dias, a Unimed Natal tem divulgadoconteúdos que apontam para uma suposta recuperação da cooperativa: crescimento de receita, aumento de carteira e indicadores de percepção.

Mas quando se abandona a narrativa e se analisam os dados (os mesmos dados públicos da ANS) o cenário que emerge é outro. Em 2024, a cooperativa apresentou resultado positivo de aproximadamente R$ 22,8 milhões. Já em 2025, sob a atual gestão, esse número despencou para cerca de R$ 1,5 milhão, representando uma queda de 93,6% no resultado. Isso é recuperação?
Mais do que isso e talvez ainda mais relevante, quando a atual gestão assumiu, a cooperativa já registrava resultado positivo de R$ 12,4 milhões no primeiro trimestre de 2025, segundo dados da própria ANS. Ou seja, não apenas havia resultado, como havia trajetória positiva. Mas o que se observa nos meses seguintes é a deterioração desse desempenho ao longo do exercício.
Portanto, não se trata de recuperar algo que já estava positivo, mas de explicar por que esse resultado foi reduzido de forma tão expressiva ao longo do ano.
Enquanto isso, o crescimento de receita divulgado (cerca de 5,2%) pouco supera a inflação do período, o que, na prática, representa estagnação em termos reais. Ainda assim, as despesas caminharam em direção oposta:despesas comerciais cresceram aproximadamente 20%; arubrica de “outras despesas” registrou aumento superior a 117%, com impacto superior a R$ 35 milhões.
Ou seja, o que se vê não é um ganho de eficiência, mas um claro descolamento entre crescimento e resultado, pressionando diretamente a margem da cooperativa.
Quando se observa a ênfase em determinados números e a omissão de outros, surge uma preocupação legítima: até que ponto os dados estão sendo apresentados de forma completa e fiel aos cooperados?
Não é a primeira vez que se levanta esse tipo de alerta. Há registros públicos que associam membros centrais da atual condução a questionamentos envolvendo alteração de relatórios e inconsistências em auditorias, em processos que ainda tramitam no âmbito judicial.
Diante disso, a reflexão que se impõe é inevitável: Qual o grau de confiança que se pode atribuir à forma como os dados estão sendo apresentados agora?
Uma nova assembleia da cooperativa se aproxima e nessa oportunidade importante que respondam: os números estão sendo apresentados como são ou como convém que pareçam ser?