O balanço mais recente da Unimed Natal revela um cenário que não permite maquiagem. A operação principal até melhorou, mas o lucro praticamente desapareceu. A realidade é bem diferente da propaganda.
A cooperativa saiu de um lucro líquido de R$ 22,8 milhões para apenas R$ 1,46 milhão. Uma queda de 93,6%. Na prática, faturou mais, melhorou indicadores operacionais, mas terminou quase sem resultado.
A receita com planos de saúde cresceu 5,63%, chegando a R$ 1,38 bilhão. Houve também melhora na sinistralidade, o que impulsionou o resultado das operações com planos em mais de 55%. Isoladamente, seria um sinal positivo.
Mas o problema da Unimed Natal está fora do coração do negócio.
As chamadas receitas acessórias praticamente sumiram. As “outras receitas operacionais” despencaram de R$ 57,2 milhões para pouco mais de R$ 1 milhão, uma queda de 98%. Uma fonte relevante de receita simplesmente evaporou.
Ao mesmo tempo, despesas que não estão diretamente ligadas aos planos dispararam. Saltaram de R$ 35,1 milhões para R$ 76,3 milhões, alta de 117%. Ou seja, entra menos dinheiro fora da operação principal e sai muito mais.
As despesas de comercialização também cresceram quase 20%, pressionando ainda mais o resultado. Já as despesas administrativas ficaram praticamente estáveis, mostrando ausência de um corte estrutural relevante.
O golpe mais duro veio do resultado financeiro. A Unimed Natal saiu de um ganho de R$ 38,5 milhões para um prejuízo de R$ 59,5 milhões. Uma virada brutal que destruiu o avanço operacional.
Mesmo revertendo o resultado operacional de negativo para positivo, chegando a R$ 9,2 milhões, a cooperativa viu esse ganho ser completamente engolido pelo financeiro. O resultado antes dos impostos caiu mais de 94%.
O balanço escancara um problema sério: a Unimed Natal melhorou na operação, mas piorou onde não podia. Perdeu receitas relevantes, viu despesas crescerem fora do controle e sofreu um impacto pesado no resultado financeiro.
O retrato final é preocupante. Não é uma empresa que parou. É uma empresa que não consegue transformar melhora operacional em lucro. E isso, no longo prazo, cobra um preço alto.
Se esse quadro persistir, basta uma oscilação na operação para o resultado entrar no vermelho. E aí não será mais questão de ajuste, será de sobrevivência financeira.