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Rodízio Mounjaro
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‘Rodízio Mounjaro’: restaurantes lançam menus para usuários de canetas; especialistas comentam

Restaurantes estão reformulando menus e rodízios para atrair e fidelizar clientes que utilizam canetas para tratamento da obesidade, como Wegovy e Mounjaro. Para especialistas da área da saúde, a adaptação é promissora.

No início desta semana, por exemplo, um restaurante japonês com unidades em Resende e Volta Redonda, no Rio de Janeiro, repercutiu nas redes sociais ao divulgar um mini rodízio voltado a usuários dessas medicações.

Outro estabelecimento que ajustou pratos e porções levando em consideração a redução do apetite entre aqueles que utilizam as canetas foi o Relicário Bistrô, também de Volta Redonda.

A proprietária, Sarah Rezende, explica que a iniciativa surgiu após a leitura de uma reportagem sobre a diminuição da frequência de clientes em restaurantes nos Estados Unidos, associada ao avanço do uso das canetas.

“Ao observar esse movimento, percebi que muitas pessoas ao meu redor também utilizavam o medicamento. A partir daí, decidi criar versões com metade das porções dos pratos mais vendidos do restaurante”, diz. Segundo ela, a procura pelo menu adaptado tem sido significativa.

Por que as canetas reduzem o apetite?
A semaglutida e a tirzepatida, ativos de Wegovy e Mounjaro, atuam em áreas do sistema nervoso central ligadas ao controle do apetite, reduzindo a fome e aumentando a sensação de saciedade.

“Além disso, esses medicamentos diminuem a velocidade do esvaziamento gástrico, fazendo com que o estômago esvazie mais lentamente, o que gera uma sensação prolongada de plenitude”, explica o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador na Universidade de São Paulo (USP), campus Ribeirão Preto.

Entre outros efeitos frequentemente relatados por quem faz uso desse tratamento estão enjoos, diminuição do interesse por alimentos muito palatáveis e alterações no paladar.

Nesses casos, é importante prestar ainda mais atenção à oferta nutricional dos alimentos, em linha com o acompanhamento com nutricionista.

“A redução da fome faz com que algumas pessoas passem a substituir refeições completas por alimentos mais leves quando sentem náusea, como frutas, o que pode levar a um consumo insuficiente de proteínas”, explica a endocrinologista Tarissa Petry, do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

‘Movimento promissor’
O movimento de adaptação dos menus com redução de porções é considerado válido e promissor pelos especialistas — e deveria existir independentemente do uso de medicamentos para obesidade, defende Couri.

Para ele, ao longo das últimas décadas, o tamanho das porções aumentou de forma significativa no Brasil e no mundo, por vezes de maneira pouco criteriosa. Oferecer porções reduzidas, com diminuição proporcional do preço, deveria ser uma opção universal nos cardápios.

“Por outro lado, rotular pratos como ‘opção para quem usa Mounjaro, Wegovy, Ozempic ou Rybelsus’ pode reforçar estigmas e preconceitos. A adaptação precisa ser inclusiva, não segmentadora”, completa.

Diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), Cynthia Valerio ressalta que, nessas adaptações, a qualidade nutricional deve ser prioridade, com exclusão de alimentos ultraprocessados.

“Até pouco tempo, o foco dos estabelecimentos era incentivar o consumo de grandes quantidades, com pouca preocupação com a saúde. Com a ampliação do acesso às medicações, essa lógica precisou ser revista. Ao oferecer uma refeição, o foco deve ser a qualidade e o equilíbrio nutricional”, afirma Cynthia, que também é subcoordenadora do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Cuidados
Para qualquer pessoa, com ou sem obesidade, as orientações nutricionais são semelhantes. A recomendação é priorizar alimentos in natura e evitar ultraprocessados. “No dia a dia, a primeira escolha deve ser um prato equilibrado, e o hambúrguer, a exceção. Sem proibições, mas com orientação”, afirma Tarissa.

Mas há orientações especialmente importantes para quem utiliza medicamentos antiobesidade, incluindo evitar grandes porções, alimentos muito gordurosos e ingestão excessiva de líquidos durante as refeições, pois esses fatores aumentam o risco de efeitos gastrointestinais.

Mastigação adequada e a prática do mindful eating, ou seja, estar atento ao momento da refeição, percebendo aromas, cores, temperatura e sabor dos alimentos, também são estratégias recomendadas.

“Esses cuidados contribuem não apenas para melhor tolerabilidade do medicamento, mas também para uma relação mais saudável com a comida”, afirma Couri.

Hábitos sociais à mesa continuam sendo importantes, e cardápios adaptados podem ajudar nesse aspecto e no tratamento de condições como obesidade e diabetes. “É fundamental que pessoas com obesidade ou diabetes consigam manter a vida social”, finaliza Cynthia.

Estadão

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