Um trader anônimo acumulou 862.340 euros (cerca de R$ 5,2 milhões) em apostas sobre ações militares no Irã e passou a ser alvo de suspeitas de uso de informação privilegiada. O caso, revelado em análise compartilhada com a CNN, expõe padrões considerados fora do normal e reacende o debate sobre a integridade dos mercados de previsão.
As apostas foram feitas na plataforma Polymarket e envolviam previsões sobre ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã — muitas delas registradas horas antes das operações se tornarem públicas. Desde 2024, o investidor teria obtido uma taxa de acerto de até 93% em apostas de alto valor, desempenho considerado atípico mesmo entre operadores experientes.
O padrão chamou a atenção da empresa de análise blockchain Bubblemaps, que identificou um comportamento descrito como “quase premonitório”. Entre os episódios apontados estão apostas feitas antes de ataques israelenses em 2024, bombardeios americanos a instalações nucleares iranianas em 2025 e uma ofensiva conjunta recente que marcou a escalada do conflito.
Especialistas veem sinais de alerta. Para o professor de finanças Todd Phillips, da Universidade Estadual da Geórgia, taxas de sucesso entre 80% e 90% são “boas demais para serem verdade”. Segundo ele, o desempenho pode indicar acesso a informações relevantes não públicas — embora também não se descarte a hipótese de sorte extrema.
As contas utilizadas pelo trader são anônimas, o que impede a identificação direta do responsável. A própria Polymarket não comentou o caso. A plataforma opera fora da regulação direta dos Estados Unidos, embora tenha recebido autorização da Commodity Futures Trading Commission para avançar com operações voltadas ao público americano — ainda em fase de implementação.
O episódio amplia as preocupações sobre o uso de informação privilegiada em mercados de previsão, que permitem apostas sobre eventos políticos, econômicos e militares. Nos Estados Unidos, legisladores discutem medidas para restringir esse tipo de prática, especialmente após a popularização de apostas ligadas a conflitos internacionais.
Plataformas concorrentes, como a Kalshi, já anunciaram reforço em mecanismos de controle e verificação.
O Globo