Filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teve, ao longo dos últimos dois anos, relação de amizade com Luiz Phillippe Rubini, ex-sócio da Fictor alvo da Operação Fallax, da Polícia Federal, deflagrada nesta quarta-feira, 25.
Procurada, a defesa diz que Lulinha “nunca teve relação comercial com Luiz Phillippe Rubini” (leia a nota mais abaixo).
Segundo pessoas próximas, ele teria sido desaconselhado a manter conexões e relação comercial com o grupo, porque já existiam suspeitas desabonadoras sobre a Fictor no mercado financeiro.
A empresa tentou comprar o Banco Master, de Daniel Vorcaro, mas a operação foi barrada pelo Banco Central.
Segundo essas mesmas fontes, Lulinha chegou a se encontrar com Rubini na sede da Fictor e em jantares de amigos.
Como mostrou o Estadão, Rubini tinha o interesse em se aproximar de pessoas próximas do governo federal. Ele era o locador de uma casa no Lago Sul, em Brasília, usada pela Fictor para lobby entre políticos.
A mansão foi palco de um evento com caciques petistas e de uma articulação para levar à CPI do INSS um dossiê contra uma testemunha que era considerada um aliado de bolsonaristas por governistas.
Na ocasião, o consultor da Fictor Felipe Alcântara reuniu o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), líder da bancada do PT na comissão, e o ex-policial civil Rogério Giglio, que havia gravado o advogado Eli Cohen e o acusou de cobrar dinheiro da bancada bolsonarista para prestar um depoimento contra o governo federal.
Depois, o ex-policial Giglio se retratou e registrou em cartório um desmentido da versão que apresentara sobre o advogado Cohen à CPI. Em entrevista ao Estadão, disse ter sido pago por representantes da Fictor para mentir sobre Cohen e gravá-lo para abastecer o PT na CPMI. O deputado Pimenta disse que não sabia que a casa era da Fictor e se disse desconfiado do depoimento do policial que incriminava Cohen (leia mais abaixo).
Quando Lulinha conheceu Rubini, a Fictor era uma relativamente desconhecida empresa do mercado financeiro que ganhou algum holofote por patrocinar o Palmeiras.
A empresa ficou famosa, mesmo, em novembro de 2025, quando anunciou um acordo para a compra do Master em consórcio com investidores dos Emirados Árabes — até hoje desconhecidos. No dia seguinte a esse anúncio, porém, o Master foi liquidado, o dono do banco, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal, e investigadores entraram no rastro da Fictor.
A empresa também ganhou projeção quando Rubini passou a integrar o Conselho do Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o chamado Conselhão, um marco das gestões petistas reinaugurado por Lula no início de seu terceiro mandato.
Os membros do grupo chegaram a acompanhar uma comitiva presidencial à China, ocasião em que Lulinha foi ao país estrangeiro com o sócio da Fictor e outros empresários.
Na manhã desta quarta-feira, 25, Rubini foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal no âmbito de investigação que apura a atuação de uma organização criminosa especializada em crimes contra a Caixa Econômica Federal, além de estelionato, lavagem de dinheiro e fraudes bancárias que superam R$ 500 milhões.
O CEO e fundador do Grupo Fictor, Rafael Góis, também estava entre os alvos e teve o celular apreendido.
O que diz a defesa de Lulinha
Fábio Luís nunca teve relação comercial com Luiz Phillippe Rubini. Ele não atuou em seu benefício profissional, não fez qualquer apresentação a membros do governo e não teve relação com indicações para cargos ou funções, sobre os quais, aliás, ele não detém ingerência alguma. Sua relação pessoal com Luiz Phillippe Rubini antecede o conhecimento público de fraudes eventualmente cometidas, inexistindo ato ilícito de Fábio Luís ou conexão entre ele e a atividade do grupo do qual Rubini foi sócio no passado.
Estadão