Carlo Ancelotti tem a base pronta para a Copa do Mundo, que começa em menos de três meses. Pelo menos 21 dos 26 jogadores que serão convocados estão com a vaga encaminhada, e a derrota para a França, na quinta-feira, não mudou esse cenário.
Com vários desfalques por lesão nesta última janela antes da lista final, chamou a atenção a opção por jovens que ainda não haviam recebido oportunidade. Há dúvidas na defesa, no meio e no ataque sobre a lista para o Mundial de 2026, que será divulgada em 18 de maio, mas são poucas e devem ser definidas entre aqueles que já foram bastante testados.
Com a renovação próxima de ser assinada até a Copa de 2030 e com a ideia consolidada do que pretende fazer para 2026, Ancelotti já pensa no futuro. A convocação de Vitor Reis, revelado pelo Palmeiras, vendido ao Manchester City por milhões e que tem se destacado atuando emprestado ao Girona, da Espanha, é um exemplo.
Aos 20 anos, o defensor foi chamado na noite de quinta-feira, horas depois do encontro contra os franceses, para reforçar a seleção no amistoso de terça-feira, diante da Croácia. Ele fará, portanto, três treinamentos e, talvez, jogue alguns minutos em Orlando. Pode encantar Ancelotti nesse curto período a tempo de estar no Mundial nos Estados Unidos? Sim, mas é improvável.
Carletto quer conhecer Vitor Reis pensando no desenvolvimento para 2030. O mesmo vale para Danilo, 24, do Botafogo, que na seleção agregou o sobrenome Santos para se diferenciar do Danilo mais veterano, do Flamengo. Também estão nessa situação Kaiki, lateral-esquerdo do Cruzeiro, de 23 anos; Igor Thiago, atacante do Brentford que aos 24 é vice-artilheiro da Premier League, a forte liga inglesa, e até Gabriel Sara, que um pouco mais velho, aos 26, obteve sua primeira chance.
Como Vitor Reis, todos podem se destacar nesta Data Fifa de março e ganhar uma chance já para 2026, mas, com uma base já montada, o olhar está em 2030. Ancelotti assumiu a seleção em maio de 2025, no fim do ciclo, após a seleção passar por três treinadores. Pegou uma espinha dorsal pronta, que não desprezou, afinal os meses eram poucos até a Copa. Ele chegará a 12 jogos quando estrear contra o Marrocos, em 13 de junho.
Com a assinatura da renovação, que deve ocorrer antes da apresentação dos relacionados para o Mundial, no fim de maio, Ancelotti já terá iniciado o projeto para 2030, quando, espera-se, terá quatro anos para impor o seu modelo de trabalho e escolher o seu time. Se conquistar a Copa já em 2026, terá uma tarefa bem mais tranquila.
Marcel Rizzo - Estadão