Um projeto de extensão vinculado à UFRN, com participação da deputada federal Natália Bonavides, está oferecendo formação para professores da rede pública do Rio Grande do Norte com foco na produção de conteúdos sobre a ditadura militar para aplicação direta em sala de aula, entre abril e setembro de 2026.
O programa inclui curso de 100 horas, oficinas pedagógicas e até “aulas-espetáculo” com grupo musical de viés político, direcionadas a educadores e estudantes da educação básica . Na prática, o que deveria ser formação acadêmica levanta questionamentos sobre uso da máquina pública para indução ideológica dentro das escolas.
O conteúdo do curso não se limita à abordagem histórica. Ele orienta professores a desenvolverem propostas pedagógicas próprias e aplicá-las em seus contextos escolares, criando um efeito multiplicador. O problema é o viés. O material trabalha conceitos já filtrados por uma narrativa específica, tratando temas como “resistência”, “autoritarismo” e “memória” dentro de uma linha interpretativa única, sem espaço real para contraponto. Quando o Estado financia e estrutura esse tipo de formação, o risco deixa de ser acadêmico e passa a ser político.
A inclusão de aulas-espetáculo com o grupo “Inimigos do 8/1” escancara a intenção. Não é apenas ensino, é construção simbólica com posicionamento ideológico explícito. O próprio material fala em estimular reflexões contra o “autoritarismo contemporâneo”, conectando passado e presente de forma dirigida . Em vez de pluralidade, o que se observa é um roteiro pronto sendo entregue a professores, que passam a atuar como replicadores de uma visão política dentro da sala de aula.
O mais grave é o uso da estrutura pública para isso. Professores são liberados de carga horária, espaços públicos são utilizados e a universidade chancela o conteúdo. Tudo pago pelo contribuinte. A presença de uma parlamentar diretamente associada ao projeto reforça o caráter político da iniciativa. Educação não pode ser confundida com militância. Quando a sala de aula vira extensão de projeto ideológico, quem perde é o aluno, que deixa de aprender para começar a ser moldado.
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