O senador Styvenson Valentim (PSDB) estava na inauguração de uma escola em Parelhas, no Seridó, no domingo, e resolveu fazer o que político não deve fazer: falar sem precisão. Na tentativa de explicar por que trocou a farda pela política, disse o seguinte: “Podia estar coronel hoje na PM sem fazer nada, porque tu sabe que coronel não faz nada. Podia estar na PM ganhando dinheiro fácil, já beirando me aposentar.”
A intenção era elogiar a própria escolha. O efeito foi ofender uma categoria inteira. Styvenson era tenente quando entrou para a política em 2018, ficou conhecido como operador da Lei Seca, e hoje é capitão da reserva.
Ou seja, saiu de dentro da corporação e voltou para falar mal de quem ficou. A Associação dos Oficiais Militares do RN não deixou passar e emitiu nota interna à categoria reagindo com dureza, classificando o senador como “o pior nível de oficiais que já tivemos em nossa instituição na contemporaneidade”, além de “limitado intelectualmente” e “desagregador”.
A nota ainda lembra que Styvenson foi inadimplente com obrigações acadêmicas quando cadete e causou constrangimentos em eventos internos.
Styvenson tem uma trajetória política sólida no RN e é um nome relevante para 2026. Mas é exatamente por isso que essa fala dói mais. Não precisava.
O senador está em ano de construção de palanque, e sair atacando coronéis da PM sem nenhuma necessidade é entregar ponto de graça para quem quer desgastá-lo.
No RN, militar tem família, tem voto, tem comunidade. Só Styvenson para derrotar Styvenson.