Em discurso no plenário, o senador Eduardo Girão denunciou o que chamou de “blindagem” no Senado e criticou cancelamentos de sessão e manobras regimentais que, segundo ele, impedem a votação de requerimentos. Ele afirmou que apresentou pedido de quebra de sigilo da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci, e questionou a falta de deliberação, citando “129 milhões de razão” e alegando ligação com o Banco Master e contratação sem atuação efetiva.
No mesmo pronunciamento, Girão mencionou a necessidade de convocação de familiares do ministro Dias Toffoli e citou a empresa “Marídit”, afirmando que o Brasil precisa conhecer a história de repasses e que a situação teria mudado depois de quebras de sigilo, quando “não tá dando para tapar o sol com a peneira”. Ele também atacou o que chamou de “corporativismo doentio”, ao citar uma decisão do ministro Gilmar Mendes que, segundo ele, teria sido usada para anular uma decisão de CPI que havia quebrado sigilo relacionado ao caso.
O senador disse que a CPI do crime organizado estaria cancelando mais sessões do que realizando, e afirmou que isso seria inédito em sua experiência parlamentar. Para Girão, essa dinâmica impede que o Congresso avance em pedidos de informação e reforça a percepção de que há proteção a alvos de investigação, especialmente quando o tema envolve autoridades de alto escalão.
Girão cobrou a instalação imediata de CPIs e CPMIs e pediu prorrogações de prazos para permitir análise de dados, depoimentos e documentos. Ele também levantou suspeitas sobre a conduta de assessores e consultores ligados à cúpula do Senado, citando um “consultor político” que, segundo ele, recebe salário no Senado e teria movimentado valores apontados em cruzamentos de dados da Polícia Federal.
Ao fim, o senador pediu que o Senado assuma um papel mais ativo e disse que a população tem o direito de acompanhar investigações sem “blindagens”. Girão defendeu que o Congresso dê respostas institucionais a denúncias e irregularidades e concluiu pedindo investigação ampla, incluindo auxiliares de autoridades políticas mencionadas no debate.