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Sai Toffoli e entra Moraes no centro do alvo da PF, do caso Master e da possível delação de Vorcaro
politica

Reputação de Moraes e Toffoli morreu com caso Master, resta saber se STF quer ser enterrado junto

Quando o ministro Dias Toffoli, então relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), decretou sigilo no inquérito e, depois, numa atitude sem paralelo, impediu a própria Polícia Federal de periciar o material apreendido nas investigações, ficou claro: ele temia o vazamento de dados. Agora a leitura é mais nítida e permite enxergar que, além de si mesmo, Toffoli estava protegendo o colega de Corte Alexandre de Moraes das revelações que seriam encontradas nos celulares de Daniel Vorcaro.

A troca de mensagens do banqueiro revela que ele e Moraes tinham relação próxima e se encontravam. O teor do que foi vazado até o momento levanta suspeitas graves. Mais ainda ao lembrarmos que a esposa do ministro, Viviane Barci, teve contrato de quase R$ 130 milhões para defender o banco de Vorcaro. Em tempo, vale uma observação: o comum não seria o cliente conversar frequentemente com a advogada e não com o marido dela?

Numa República séria, onde o escândalo não estivesse ubicado dentro das estruturas de poder, a prioridade neste momento deveria ser a apreensão dos celulares do ministro Alexandre de Moraes e de sua mulher. O pedido de quebra de sigilos precisaria ser feito pela Procuradoria-Geral da República, cujo titular Paulo Gonet tem optado pela inércia no caso Master, ou pela Polícia Federal.

Ainda não há indicativos na PF de que a medida será solicitada. Mas, em conversa com a Coluna do Estadão, delegados e peritos relataram que há um clima de que “as coisas estão mais normais no momento”. Ou seja, eles não estão sendo pressionados como ocorria quando Toffoli impedia o andamento padrão da apuração.

Os policiais dizem acreditar que o novo relator do caso Master, André Mendonça, adotará posturas corretas, mesmo se os alvos forem seus pares. Então, havendo elementos concretos, a PF pode pedir a quebra de sigilo, que depende de aprovação do STF por meio do relator ou até do plenário.

Independentemente dos próximos passos, a reputação de Alexandre de Moraes e de Dias Toffoli já morreu diante de suas ligações com os envolvidos no escândalo do Master. Resta saber se os demais magistrados também querem enterrar as próprias trajetórias e o STF junto.

Antes o entendimento majoritário entre os magistrados era de que deviam se unir no discurso de “atacou um, atacou a Corte”. Mas a investigação está encalacrando Toffoli e Moraes e a opinião pública já condenou os dois reputacionalmente.

Advogados e juristas ressaltam que nunca viram nada parecido no Supremo. O cenário mudou e espírito de corpo vai terminar cedendo em algum momento pela proteção, primeiro individual, depois do STF.

Coluna do Estadão

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