A apreensão de mais três celulares com o banqueiro Daniel Vorcaro no momento da prisão dele, em São Paulo, na quarta-feira (4), ampliou o volume de material sob análise na investigação do caso Banco Master e indica que novas revelações ainda podem surgir. Investigadores agora têm oito aparelhos atribuídos a Vorcaro mas, até o momento, apenas um foi periciado — e cerca de 30% do conteúdo desse único celular foi analisado.
Os novos aparelhos permanecem lacrados e ainda não passaram por perícia. A informação sobre a dimensão do material disponível foi levada a auxiliares do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, e equipes da Polícia Federal e do gabinete do ministro devem se reunir na próxima semana para fazer um diagnóstico do estágio das apurações e definir os próximos passos.
Entre os investigadores, há o entendimento de que será necessário reforço de peritos, analistas e técnicos para acelerar a extração e a leitura do conteúdo. A avaliação é que, com sete celulares ainda sem perícia e parte do primeiro aparelho pendente de análise, o caso pode trazer mais elementos sobre a atuação do banqueiro e eventuais conexões com autoridades brasileiras.
Vorcaro foi preso por ordem de Mendonça após a Polícia Federal apontar, a partir de mensagens obtidas de um dos celulares, indícios de ameaças, corrupção e tentativa de interferência em decisões regulatórias. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 22 bilhões em bens para ressarcir prejuízos ao sistema financeiro. Ele está detido na Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima.
Parte do conteúdo já extraído de um dos aparelhos, e enviado à CPMI que apura fraudes no INSS, menciona políticos e autoridades de alto escalão dos Três Poderes. Entre os citados nas mensagens, aparecem o presidente Lula, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes, além de presidentes da Câmara e do Senado, líderes partidários e parlamentares. O g1 teve acesso ao material, composto por conversas de WhatsApp com a namorada, a modelo Martha Graeff, e anotações do empresário, com registros entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025.
A defesa de Vorcaro informou ter pedido ao STF a abertura de investigação sobre vazamentos de informações sigilosas provenientes dos celulares apreendidos. Em outra manifestação, os advogados também disseram ter “surpresa e indignação” com a divulgação de fotos do banqueiro dentro da unidade prisional e afirmaram que solicitarão apuração para responsabilizar os autores do vazamento.