Enquanto o calendário marca o Dia Internacional da Mulher, uma reflexão incômoda se impõe sobre o cenário jurídico e político de Mossoró. À frente da subseccional da OAB, Lorena
Gualberto tem experimentado o sabor amargo que o poder reserva às mulheres que decidem não baixar a cabeça.
A "Dama de Ferro" da advocacia mossoroense, como já vem sendo
chamada por muitos, tornou-se o alvo preferencial de uma artilharia pesada, mas covarde. O que se vê na capital do Oeste é um retrato fiel da violência política de gênero: uma tentativa
sistemática de "fritar" uma liderança feminina que cometeu o "pecado" de ser independente.
A comparação com a "Dama de Ferro" nunca foi tão precisa. Margaret Thatcher dizia que "se você quer que algo seja dito, peça a um homem; se quer que algo seja feito, peça a uma
mulher". Lorena seguiu o roteiro do fazer, mas vem pagando o preço por não aceitar ser "mandada".
O que temos visto nas últimas semanas, ultrapassa a fronteira da crítica administrativa. Entrou
no terreno perigoso da violência de gênero. Lorena vem sendo fustigada por ataques sistemáticos nas redes sociais, orquestrados por "inimigos sem rosto". São vozes que se
escondem no anonimato digital para disparar críticas sem qualquer fundamentação técnica ou
institucional.
É o modus operandi clássico da política rasteira: quando não se consegue vencer no argumento
ou na competência, tenta-se desestabilizar a figura pessoal.
A ascensão de Lorena e sua postura firme na presidência da Ordem parecem ter despertado o
pior de certos setores. O ataque vindo de "apoiadores" ou de quem se dizia aliado, mostra que o respeito à competência feminina ainda é um verniz fino que descasca na primeira
divergência.
Ser uma mulher no poder em ambientes historicamente dominados por homens, como o Judiciário e a Ordem, exige um couro grosso. Lorena tem demonstrado que possui, mas a
sociedade (e a advocacia) precisa questionar: até quando aceitaremos que a violência política seja usada como ferramenta de oposição?
O que se lê nas redes não são questionamentos sobre a gestão da OAB, sobre as prerrogativas
dos advogados ou sobre a anuidade. São ataques vazios, tentativas de desqualificação da mulher e o silenciar de uma liderança que, pela firmeza, ganhou a alcunha de "Dama de Ferro".
Neste 8 de março, a maior homenagem que se pode prestar a Lorena Gualberto e a tantas
outras mulheres em cargos de decisão não são flores ou posts elogiosos, mas o respeito institucional. A divergência é do jogo democrático, mas a covardia do anonimato e o preconceito disfarçado de crítica são sintomas de uma doença que Mossoró precisa curar.
Lorena segue no cargo. Os agressores? Continuam escondidos atrás de telas, sem coragem de
sustentar o que escrevem sob a tela de seus celulares.