A puxada de orelha de Rui Costa em Sidônio Palmeira na reunião ministerial de ontem reflete a pressão que cai sobre a cabeça do chefe da Secom nas últimas semanas. Disse Rui ao vivo e a cores:
— A minha dúvida, Sidônio, é se o povo sabe disso. Acho que a gente tem que colocar como foco comparar e mostrar. O povo tem o direito de conhecer esses números, esses dados, porque, repito, é a mudança da água para o vinho, de um deserto de governança para um governo que tem um líder que montou uma equipe para trabalhar e produzir esses resultados.
O motivo da pressão é óbvio: a queda na aprovação de Lula e a subida de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de votos.
Quando ouviu a crítica, Sidônio disse que ia responder — e o fez na mesma reunião, embora sem transmissão pela TV. Rui Costa, mais tarde, depois de a reunião ter acabado, tentou voltar a atrás, quis consertar o a cobrança pública, mas o estrago estava feito.
Independentemente da lavagem de roupa suja em público, Sidônio tem dito a interlocutores que Lula precisa aparecer mais, falar com maior frequência pelas redes sociais — taí uma coisa que o presidente não é muito adepto. Mais: Lula tem que falar não só de política.
É o mesmo diagnóstico que o ministro já tinha desde o fim do ano passado, um tempo em que os números das pesquisas ainda sorriam para Lula.
Sidônio diz que tem em mãos pesquisas mostrando que a população diz que quer ouvir o que Lula tem a dizer com maior frequência — embora outras pesquisas revelem que há algum cansaço dos brasileiros em relação à figura de Lula.
A seis meses da eleição, uma coisa é certa: o governo ainda tenta encontrar um caminho para se comunicar com a população. O que não é certo é se a comunicação é o único problema do governo. Não parece ser.
Lauro Jardim - O Globo