O ex‑presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, tenta acelerar um acordo de delação premiada com a Policia Federal (PF) e a Procuradoria‑Geral da República. De acordo com a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, a defesa do ex-banqueiro fala em prazo de 60 dias, considerado otimista por investigadores.
A pressa de Vorcaro tem uma razão bilionária. Ele teme perder acesso a mais de R$ 10 bilhões distribuídos em uma rede complexa de fundos no Brasil e no exterior. Sem condições de movimentar os recursos, o empresário receia que gestores e credores esvaziem os valores antes da formalização da colaboração.
Investigadores e advogados avaliam que a devolução de parte desses recursos será essencial para que a delação avance. Só a fraude que envolve carteiras de crédito podres vendidas ao Banco Regional de Brasília é estimada em R$ 12,2 bilhões. Além disso, há suspeitas de desvios bilionários ligados a fundos de pensão estaduais e municipais, que estão sendo investigados pela PF.
A situação tem outro agravante: a liquidação do Master pelo Banco Central (BC), em novembro passado. Os recursos da instituição estão sob o poder do liquidante indicado pelo BC, Eduardo Bianchini. Ele é responsável por vender ativos e organizar o quadro de credores. Bianchini calcula que pelo menos R$ 4,8 bilhões em bens e fundos ligados a Vorcaro já haviam sido desviados antes da liquidação.
Esse é um dos motivos pelos quais o ex‑banqueiro corre contra o relógio: quanto mais se prolongarem as tratativas, maior o risco de dilapidação do patrimônio que poderia sustentar o acordo
REVISTA OESTE