O senador Eduardo Girão (Novo-CE) classificou o atual regime democrático brasileiro como uma "democracia fuleragem" durante discurso no plenário do Senado nesta segunda-feira (27). A declaração foi feita no contexto das críticas à reação do ministro Gilmar Mendes contra o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema, que publicou vídeos satíricos sobre ministros do STF. Assista:
"Que democracia fuleragem é essa que nós temos no Brasil? Fuleira. Você não pode criticar poderoso. Quem está na vida pública tem que ser criticado", disparou Girão, que é membro da CCJ e votará contra a indicação de Jorge Messias ao STF nesta semana.
O parlamentar cearense leu trechos da Constituição Federal em plenário para reforçar seu argumento. Citou os incisos 4º e 9º do artigo 5º, que garantem a livre manifestação do pensamento e a liberdade de expressão sem censura, além do artigo 220, que proíbe qualquer restrição à manifestação do pensamento e à informação.
"Está aqui a Constituição, Carta Magna do Brasil. Os caras não estão nem aí para isso. Rasgam as páginas dela na cara dura, na mão grande", afirmou, segurando um exemplar da Constituição.
Girão comparou a situação atual ao período da ditadura militar, lembrando que, durante os 21 anos do regime, o jornal O Pasquim — conhecido por suas sátiras contra o governo — nunca foi fechado. Para o senador, o episódio envolvendo Zema e Gilmar Mendes demonstra que ministros do Supremo "não querem que o Brasil nem mais bom humor tenha, nem mais piada se possa fazer".
O caso que motivou o discurso envolve a série de vídeos "Os Intocáveis", publicada por Zema, na qual fantoches satirizam conversas entre os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Após a publicação, Gilmar pediu a Alexandre de Moraes que incluísse Zema no inquérito das fake news, aberto há mais de sete anos.
"Eles vão lá censurar mesmo, eles vão intimidar mesmo, porque se acham os intocáveis", concluiu Girão.