O senador Sérgio Moro (PL-PR) denunciou o que chamou de "manobra imoral" do governo Lula para aprovar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Moro foi retirado da CCJ sem consulta prévia e substituído pelo senador Renan Filho (MDB-AL), ex-ministro dos Transportes de Lula.
"O governo Lula não tem certeza da aprovação do ministro Jorge Messias para vaga no Supremo Tribunal Federal. Só isso explica a manobra imoral que adotaram hoje", declarou Moro. O senador disse ter sido surpreendido com a notícia da substituição sem ter sido consultado.
Moro ocupava uma vaga do União Brasil na CCJ e foi trocado pela liderança do bloco Democracia, do MDB. "Eu ocupava uma vaga do União Brasil, e a liderança do bloco, do MDB, me substituiu pelo senador Renan Filho. Tudo bem, é do jogo político, mas reflete a incerteza e a insegurança do governo Lula quanto à aprovação de Jorge Messias", afirmou.
Mesmo fora da comissão, Moro adiantou que votará contra a indicação quando ela for apreciada pelo plenário do Senado. "O governo teme uma sabatina transparente, uma sabatina na qual os membros da oposição possam fazer as perguntas pertinentes ao ministro Jorge Messias", disse o senador.
Além de Moro, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) também foi retirado da CCJ e substituído por Marcelo Castro (MDB-PI). A troca de Cid Gomes (PSB-CE) por Ana Paula Lobato (PSB-MA) também beneficiou o governo. Com as mudanças, os votos favoráveis a Messias na comissão subiram de 13 para 15.
Moro também questionou a atuação de Messias à frente da AGU, especialmente o parecer sobre assistolia fetal. "Como alguém que se diz contra o aborto pode ser a favor de sua realização?", provocou o senador.
A manobra na CCJ é a segunda envolvendo Moro em poucas semanas. Em 14 de abril, durante a reta final da CPI do Crime Organizado, ele já havia sido retirado do colegiado horas antes da votação do relatório final.
A votação no plenário é secreta e Messias precisa de 41 votos para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no STF.