O senador Cleitinho (Republicanos-MG) fez um discurso contundente no plenário do Senado nesta terça-feira (28), em que apontou a classe política como a verdadeira responsável pelos problemas econômicos do país. No contexto da chegada do debate sobre o fim da escala 6x1 ao Senado, o parlamentar rejeitou o argumento de que a mudança quebraria a economia e redirecionou o foco para os gastos com a máquina pública. "O país nunca foi quebrado, o país foi roubado. Não venham com essa ladainha de que o país vai estar quebrado", afirmou.
Para sustentar o argumento, Cleitinho apresentou números no plenário. Segundo o senador, o Brasil possui cerca de 71 mil políticos eleitos e 641 mil cargos comissionados, com um custo estimado de R$ 248 mil por minuto, R$ 357 milhões por dia e R$ 130 bilhões por ano, sem contar o Fundo Partidário, que ultrapassa R$ 5 bilhões.
O parlamentar ainda criticou o plano de saúde vitalício do Senado, que teria consumido mais de R$ 300 milhões em 12 anos, e afirmou ter aberto mão do benefício. "O problema do país nunca vai ser o empresário ou o trabalhador. Eles são fonte de riqueza. A fonte de despesa está aqui", declarou, defendendo uma reforma moral e política no país e dizendo estar "pronto para cortar da própria carne", sem poupar sequer o próprio partido.
Na sequência, o senador anunciou a apresentação de um projeto de lei que visa proibir a transferência do pagamento do IPTU ao inquilino nos contratos de locação. Cleitinho reconheceu que a legislação atual já atribui o imposto ao proprietário, mas argumentou que, na prática, os contratos de aluguel frequentemente repassam essa obrigação ao locatário. "O IPTU é do proprietário, e não do inquilino. Você pode ter até 500 imóveis, mas você tem a obrigação de pagar o IPTU", afirmou, pedindo que o Senado tramite a proposta o mais rápido possível.
O discurso ganhou repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre o custo da máquina política brasileira, tema recorrente nas falas do senador mineiro. Em 14 de abril, Cleitinho já havia usado a tribuna para afirmar que "nenhum político tem moral para falar sobre a escala 6x1" sem antes promover cortes nos três Poderes. O tema segue em pauta no Senado.