A história da rejeição de Jorge Messias ao STF não começou em abril de 2026. Ela começou em novembro de 2025, quando Lula escolheu o advogado-geral da União em vez do nome que Alcolumbre queria: Rodrigo Pacheco.
Desde que a vaga de Luís Roberto Barroso se abriu, em outubro de 2025, o presidente do Senado trabalhou abertamente para que o ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), fosse o indicado. A lógica era institucional e política: Pacheco tinha trânsito no Senado, perfil moderado e, principalmente, era o candidato de Alcolumbre. Indicá-lo seria um gesto de respeito à Casa e ao seu presidente.
Lula escolheu Messias. E Alcolumbre nunca engoliu.
A vingança foi lenta, metódica e devastadoramente eficaz. Primeiro, recusou-se a receber Messias para a conversa protocolar que todo indicado ao STF faz com o presidente do Senado. Depois, atrasou por meses o envio da mensagem presidencial à CCJ. Quando finalmente pautou a sabatina, não moveu um dedo para garantir votos.
A Folha de S.Paulo revelou que o governo tentou, até o último minuto, arrancar de Alcolumbre ao menos um gesto público de apoio — algo como "não tenho nada contra Messias". Esse gesto nunca veio. E sua ausência foi, na linguagem do Senado, uma sentença.
Flávio Bolsonaro chegou a dizer na véspera da votação: "O Davi está com a gente". A frase resume tudo. Alcolumbre não precisou votar contra. Não precisou discursar. Bastou não fazer nada — e deixar que a gravidade política fizesse o resto.
O placar de 42 a 34 não foi apenas uma derrota de Messias. Foi a resposta de Alcolumbre a Lula por ter sido ignorado. Uma resposta que, cinco meses depois da indicação, chegou com juros e correção.