Se a rejeição de Jorge Messias tem muitos pais, dois nomes se destacam no lado da oposição: Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN). A dupla conduziu uma operação política que desafiou as previsões e virou o jogo num cenário que, semanas antes, parecia favorável ao governo.
A articulação começou cedo. Ainda em abril, Rogério Marinho — líder da oposição no Senado e coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio — publicou uma nota pública pedindo a rejeição de Messias e vinculando a votação à pauta da dosimetria. A mensagem era clara: rejeitar Messias e derrubar o veto seriam duas faces da mesma moeda.
Flávio, por sua vez, fez o que o Centrão duvidava que faria: entrou em campo pessoalmente. Na véspera da sabatina, reuniu cerca de 25 senadores a portas fechadas e afirmou, segundo relatos do Estado de Minas: "O Davi está com a gente". A frase mudou o cálculo político de senadores indecisos que temiam votar contra sem cobertura do presidente do Senado.
O resultado — 42 votos contra e apenas 34 a favor — superou as projeções mais otimistas da oposição. Flávio, pré-candidato à Presidência, saiu do episódio com capital político renovado. Marinho consolidou-se como o principal estrategista da direita no Senado. Juntos, provaram que a oposição é capaz de vencer o governo em seu próprio terreno.