A cadeira que era de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal continua vazia — e pode permanecer assim por meses. Após a rejeição de Messias, o governo Lula já sinalizou que pretende enviar um novo nome ao Senado, mas o terreno nunca esteve tão minado.
O primeiro obstáculo é Davi Alcolumbre. O presidente do Senado controla o calendário da Casa e, na avaliação de aliados do governo, não deve pautar novas sabatinas neste ano enquanto não houver uma recomposição política. O rompimento entre Lula e Alcolumbre é considerado praticamente consumado, e sem o aval do presidente do Senado, nenhum nome sequer chega à CCJ.
O segundo obstáculo é o calendário eleitoral. Com as campanhas ganhando corpo a partir de agosto, o ambiente político se tornará cada vez mais radicalizado. Qualquer indicação será imediatamente transformada em palanque — como já aconteceu com Messias.
Nos bastidores, circulam ao menos três nomes que poderiam ter mais trânsito no Senado, mas o governo teme repetir o erro de indicar sem garantias. Interlocutores do Planalto admitem que Lula deveria ter escolhido Rodrigo Pacheco — o nome preferido de Alcolumbre desde o início. Agora, voltar atrás e indicar Pacheco seria visto como capitulação.
O impasse é real: Lula quer indicar, mas não pode. Alcolumbre pode pautar, mas não quer. E o STF segue com uma cadeira vazia.