O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) abriu a sessão do Congresso Nacional que analisa a derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria com um discurso inflamado, usando a rejeição de Jorge Messias ao STF na noite anterior como munição contra o governo. "Hoje é dia de choro pra esquerda. Desde ontem não tem mais lenço para vender em Brasília", disparou o parlamentar, referindo-se à derrota histórica do Planalto no Senado, onde Messias recebeu apenas 34 votos favoráveis contra 42 contrários, tornando-se o primeiro indicado ao Supremo rejeitado em 132 anos. Van Hattem não poupou ironia: "Todo mundo quer ser lembrado quando se for. O Messias agora mudou de patamar. Primeiro indicado ao STF rejeitado desde 1894."
O deputado conectou a rejeição de Messias diretamente à pauta da dosimetria ao expor o que classificou como contradição do ex-indicado. Van Hattem resgatou uma entrevista de Messias ao programa "Bom Dia, Ministro", de maio de 2025, na qual o advogado-geral da União afirmou ter pedido pessoalmente ao ministro Alexandre de Moraes a prisão preventiva dos envolvidos no 8 de Janeiro. Em seguida, confrontou essa declaração com o que Messias disse na sabatina: "A AGU não é órgão de persecução penal. Não pedimos prisão preventiva. Não apresentei denúncia, não pedi condenação, não julguei." Para Van Hattem, a retratação expôs "hipocrisia sancionada pelo plenário do Senado".
O parlamentar também recuperou outra fala de Messias em que o então indicado classificou como "inconstitucional" qualquer projeto que aliviasse as penas dos condenados pelo 8 de Janeiro, e usou o trecho para reforçar a tese de que a derrubada do veto à dosimetria seria uma continuação da "reposição da verdade" iniciada com a rejeição no Senado. "O que aconteceu ontem vai continuar acontecendo hoje", afirmou, antes de pedir que o Congresso "faça justiça ao povo brasileiro como fez ontem o plenário do Senado" e encerrar o discurso aos gritos de "Fora Lula, fora PT".
A sessão desta quinta-feira (30) é considerada mais uma prova de fogo para o governo Lula. O PL da Dosimetria, aprovado pelo Congresso em dezembro de 2025 e vetado integralmente pelo presidente em janeiro de 2026, reduz penas de condenados pelos atos golpistas e beneficiaria diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, sentenciado a mais de 27 anos de prisão. Interlocutores do Planalto já admitiam, antes mesmo do início da sessão, que a tendência era de mais uma derrota, o que configuraria dois reveses consecutivos em menos de 24 horas e aprofundaria a crise de articulação política do governo em pleno ano eleitoral.