A rejeição do advogado-geral da União Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal pelo Senado, a primeira desde 1894, não foi apenas uma derrota para o governo Lula. Foi, na leitura da direita, uma oportunidade histórica. Com a decisão de Davi Alcolumbre de não pautar nova indicação antes das eleições de outubro, a vaga ficará aberta até pelo menos 2027.
Se a direita vencer a disputa presidencial, o cenário muda radicalmente. Com aposentadorias compulsórias previstas para os próximos anos, um presidente conservador poderia indicar ministros suficientes para garantir até seis votos alinhados no STF. Seria a primeira vez que o campo conservador teria maioria consolidada na mais alta corte do país.
O modelo inspira-se abertamente na estratégia adotada pelo Partido Republicano nos Estados Unidos, onde indicações estratégicas à Suprema Corte transformaram o equilíbrio do tribunal por uma geração. Lideranças da direita brasileira já falam em fortalecer o poder Executivo por meio de indicações que priorizem uma interpretação mais restritiva da Constituição e limitem o ativismo judicial.
A diferença, segundo analistas, é que a direita brasileira ainda não possui uma base doutrinária tão consolidada quanto o movimento originalista americano. Mas a oportunidade está posta, e o cálculo político já está sendo feito nos bastidores do PL e entre governadores conservadores como Tarcísio, Caiado e Zema.