Pela primeira vez na história, a direita ocupou a Avenida Paulista no 1º de Maio, data tradicionalmente dominada por movimentos sindicais e de esquerda. O grupo Patriotas do QG garantiu a prioridade junto à Polícia Militar de São Paulo após protocolar o pedido de uso da via em setembro de 2024, mais de um ano e meio antes do evento. Com a antecedência, a PM negou a autorização para centrais sindicais como a CSP-Conlutas e a Intersindical, que foram obrigadas a transferir seus atos para a Praça da República e a Praça Roosevelt.
A manifestação reuniu 280 movimentos conservadores sob o slogan "Supremo é o Povo" e teve como bandeiras centrais o apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, a liberdade para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e críticas ao STF. O ato começou às 11h em frente à sede da Fiesp e contou com a participação de lideranças como o pastor Silas Malafaia e representantes de movimentos como A Voz da Nação e Marcha da Liberdade.
Do outro lado, a esquerda se organizou em atos descentralizados em mais de 90 cidades, com pauta focada no fim da escala 6x1 sem redução salarial, combate à pejotização e igualdade salarial entre homens e mulheres. O Movimento VAT (Vida Além do Trabalho) e centrais sindicais lideraram as mobilizações. A CSP-Conlutas publicou nota de repúdio à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, contestando a decisão da PM e classificando o veto como "cerceamento do direito de manifestação".
A PM justificou a negativa aos sindicatos alegando "questões de segurança, tendo em vista ser ano eleitoral e possibilidade de tensão entre os movimentos". Na prática, o episódio inaugurou uma nova fase da disputa simbólica pelo espaço público entre direita e esquerda a menos de seis meses das eleições.