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congresso | Foto: Brenno Carvalho
politica

Filha de Clezão, preso do 8 de Janeiro que morreu na cadeia, diz que dosimetria é "remédio para dor de cabeça" e que luta pela anistia continua

Luíza da Cunha, filha de Clériston Pereira da Cunha, o Clezão, afirmou nesta quinta-feira (30) que a derrubada do veto ao PL da Dosimetria é um alívio momentâneo, mas não encerra a mobilização dos familiares dos presos do 8 de Janeiro. "Essa dosimetria é meio que um acalento para os nossos. É como se fosse um remédio para dor de cabeça. Vai passar, mas a gente vai continuar lutando pela anistia", comparou, em entrevista logo após a sessão do Congresso.

Clezão morreu no dia 20 de novembro de 2023, aos 46 anos, após sofrer um mal súbito durante o banho de sol no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde estava preso desde os atos de 8 de janeiro. Mesmo com pedidos de prisão domiciliar apoiados por advogados e pelo Ministério Público, sua solicitação foi negada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ele morreu dentro do presídio. O caso se tornou símbolo para os familiares dos condenados, que passaram a tratar a situação como exemplo de excesso punitivo.

Luíza reconheceu que o projeto "não era aquilo que a gente desejava", já que os familiares defendem a anulação total dos processos, e não apenas a redução das penas. Segundo ela, a aceitação da dosimetria aconteceu porque era a medida viável no momento. "Eles colocaram a ideologia na frente da Justiça", disse, criticando a condução dos julgamentos no STF e classificando os processos como ideológicos.

Aprovado no final de 2025, o PL da Dosimetria foi vetado integralmente por Lula em 8 de janeiro deste ano, exatamente no aniversário de três anos dos ataques. O Congresso derrubou o veto com 318 votos na Câmara e 49 no Senado, superando com folga os 257 deputados e 41 senadores exigidos. A nova lei pode beneficiar ao menos 179 presos, sendo 114 em regime fechado, 50 em prisão domiciliar e 15 em prisão preventiva. No caso de Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses, a progressão ao regime semiaberto pode ser antecipada de 2033 para 2028. Para Luíza e os demais familiares, porém, a dosimetria é só uma etapa. O objetivo final segue sendo a anistia ampla e a anulação dos processos.

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