O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu a nenhum ato presencial no Dia do Trabalhador de 2026, pelo segundo ano consecutivo. A decisão, segundo apuração do jornal O Globo e do Valor Econômico, foi motivada pelo receio de que os eventos fossem esvaziados, repetindo a experiência constrangedora de 2024, quando discursou para apenas 1.635 pessoas no estacionamento do estádio do Corinthians e reclamou publicamente que o ato havia sido "mal convocado".
A ausência pesou ainda mais pelo contexto político. Lula chegou ao 1º de Maio de 2026 após acumular duas derrotas históricas em menos de 48 horas. Na quarta-feira (29), o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF, a primeira rejeição de um nome presidencial à Corte desde 1894. Na quinta-feira (30), o Congresso derrubou o veto integral ao PL da Dosimetria, que reduz as penas de Bolsonaro e dos condenados pelo 8 de Janeiro, com 318 votos na Câmara e 49 no Senado. A sequência foi tratada nos bastidores do Planalto como a pior semana legislativa do governo desde o início do mandato.
Em vez de ir às ruas, Lula optou por um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, no qual anunciou um pacote de medidas voltadas à população endividada, com renegociação de dívidas e taxas limitadas para quem ganha até cinco salários mínimos. A estratégia reflete uma mudança de postura: o presidente que construiu sua biografia política nos palanques sindicais do 1º de Maio agora evita o risco de ser filmado diante de plateias vazias em ano eleitoral.
O encolhimento do 1º de Maio da esquerda não é fenômeno novo. Desde o fim do imposto sindical em 2017, as centrais sindicais perderam receita e capacidade de mobilização. As megafestas que reuniam dezenas de milhares de pessoas com shows de artistas populares e patrocínio de grandes marcas deram lugar a atos descentralizados, fragmentados e com público modesto. Em 2025, Lula já havia optado por não comparecer. A diferença em 2026 é que a ausência coincide com a direita ocupando a Avenida Paulista no mesmo feriado, invertendo completamente a simbologia de uma data que durante décadas foi território exclusivo da esquerda brasileira.