O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) dedicou parte de seu discurso na sessão que derrubou o veto ao PL da Dosimetria à memória de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, que morreu em novembro de 2023 no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, enquanto aguardava julgamento por participação nos atos de 8 de janeiro. "Essa sessão hoje é pela memória de um homem que morreu na cadeia. A nossa sessão é pelo Clezão, que foi assassinado", afirmou o deputado, sob aplausos da oposição.
Clezão tinha 46 anos e sofria de diabetes e hipertensão. Morreu após um mal súbito durante o banho de sol. Sua defesa havia solicitado a conversão da prisão preventiva em domiciliar dias antes do falecimento, mas o pedido não chegou a ser analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF. A Procuradoria-Geral da República já havia emitido parecer favorável à soltura desde setembro daquele ano.
Ao se dirigir diretamente à família de Clezão, Trovão reforçou o tom emocional do discurso. "Olhando nos olhos das filhas e da esposa do Clezão, eu vou falar uma coisa para vocês: a morte do Clezão não foi em vão. O Brasil está mudando porque um homem foi morto pela ditadura que está instaurada nesse país", declarou, classificando a derrubada do veto como um primeiro passo rumo à justiça para os condenados.
O caso de Clezão tornou-se um dos principais símbolos utilizados pela oposição para questionar a proporcionalidade das penas e as condições de detenção dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A morte é frequentemente citada em atos políticos e no Congresso como evidência do que parlamentares da direita chamam de perseguição política do Judiciário.