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Empresário confirma à PF que intermediou contratação de influenciadores para defender Vorcaro

O empresário Thiago Miranda, sócio de uma agência de comunicação, disse à Polícia Federal que prestou serviços de “gestão de crise” ao banqueiro Daniel Vorcaro após sua primeira prisão na Operação Compliance Zero e confirmou ter intermediado a contratação de influenciadores para fazer publicações em defesa do Banco Master.

Ele prestou depoimento à PF nesta terça-feira, 12, no inquérito que apura suspeitas de obstrução de Justiça por causa da ação de influenciadores, com ataques a autoridades do Banco Central e tentativa de criar um ambiente na opinião pública para influenciar o Tribunal de Contas da União (TCU) a reverter a liquidação do Master, decretada pelo BC em novembro. Essa atuação foi um dos argumentos para a Polícia Federal ter solicitado a segunda prisão do banqueiro, efetivada no início de março.

No depoimento, Miranda negou ter determinado ataques a autoridades do Banco Central, mas admitiu ter elaborado um plano de comunicação para Vorcaro para defender sua reputação e a do Banco Master.

O empresário também apresentou documentos sobre essas contratações. Trechos desses documentos divulgados pelo jornal Folha de S.Paulo mostram que influenciadores contratados por Miranda fizeram publicações contra o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, Renato Gomes, em troca de pagamentos de R$ 3,5 milhões.

Na apresentação dos serviços a Vorcaro, a agência Mithi, de Thiago Miranda, propôs um “marketing de guerrilha” para combater a crise de reputação do Master. O plano era apresentar o banqueiro como um “arquétipo do lutador”. “Diretriz: ‘Ninguém torce pelo banqueiro. Mas todos respeitam um homem que está no chão e tenta levantar. Vamos trabalhar a jornada do herói falível’”, diz trecho do plano de comunicação.

Em nota, a defesa de Thiago Miranda afirmou que ele adotou “postura colaborativa, transparente e respeitosa, com o objetivo de contribuir para o integral esclarecimento dos fatos”.

“É necessário distinguir, com responsabilidade, o exercício regular de atividade profissional lícita — voltada à orientação comunicacional e à preservação reputacional de pessoas e organizações — de qualquer interpretação que procure atribuir a essa atuação finalidade ilícita, ofensiva ou institucionalmente desleal. Logo, ao contrário de versões divulgadas, em nenhum momento a atuação profissional de Thiago Miranda e sua agência teve por finalidade atacar instituições públicas, autoridades, agentes públicos ou órgãos de Estado. Sua atividade sempre esteve circunscrita ao campo técnico da comunicação reputacional, da estratégia institucional e da gestão de crise, áreas legítimas de atuação profissional, especialmente em contextos de elevada exposição pública", afirmou o advogado Rafael Martins.

Estadão

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