Em seu comentário nesta terça-feira, 12, o colunista Fernando Schüler fala da expectativa da atuação de Kassio Nunes Marques no comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) toma posse na noite desta terça na presidência do TSE.
“O que se espera da Justiça Eleitoral? Primeiro, o procedimento formal. Atenção à regra do jogo. O comportamento equânime, ou seja, sem seletividade. Minimalismo. Não se espera intervenção no conteúdo do debate, no mérito das ideias”, diz Fernando Schüler.
Ele compara as eleições recentes brasileiras ao debte na Argentina, onde, segundo ele, o nível de intervenção foi bem menor.
“Uma discussão extremamente acirrada, de Milei contra Massa, peronistas contra libertários. Foi um debate duríssimo. Talvez mais duro do que o debate brasileiro. Nenhuma interferência na Justiça Eleitoral. O discurso das fake news, enfim, discursos de ódio. A enorme interferência que houve nas eleições brasileiras não houve na Argentina”, afirma.
Schüler lembra diversos episódios que considera que “envergonham a nossa democracia”, ocorridos nas últimas eleições como, por exemplo. Ele cita, por exemplo, “a censura do lançamento de um documentário” sobre o atentado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “O tribunal sequer conhecia o conteúdo do documentário. Fez a censura prévia, que é vedada pelo ordenamento jurídico brasileiro”, diz ele.
Fernando Schüler - Estadão