A declaração do presidente Lula de que governadores reclamam da postura do Judiciário no combate ao crime dividiu opiniões e acendeu o debate sobre responsabilidades na segurança pública brasileira.
A fala revela não apenas desconhecimento institucional, mas uma tentativa de terceirizar a culpa pela crise de segurança que assola o país. Ele terceiriza até a crítica — diz que é o governador que está reclamando.
A avaliação mais contundente veio do procurador de Justiça do Rio de Janeiro, Marcelo Rocha Monteiro, que criticou duramente o pacote anunciado: "Se essa preocupação fosse genuína, essas ações teriam sido tomadas anos atrás, quando as facções já dominavam comunidades inteiras e expandiam seu poder para o Centro-Oeste, Norte e Nordeste."
Monteiro classificou as medidas como "cosméticas" — sem novas leis, sem recursos extraordinários e sem coordenação efetiva com os estados. Para ele, o plano chega a poucos meses das eleições e não traz mudanças estruturais no enfrentamento ao PCC, ao Comando Vermelho e demais organizações criminosas.
O procurador ainda afirmou que, ao longo de duas décadas, "a reputação de um grupo político que construiu a imagem do bandido" priorizou o discurso de direitos humanos para criminosos em detrimento da segurança da população — e que agora, às vésperas do pleito, tenta reverter essa imagem com medidas de impacto superficial.