A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve encomendar uma pesquisa interna para medir o impacto do áudio do senador com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, junto ao eleitorado.
Uma sondagem mais ampla deve ser feita a partir da próxima semana para verificar o quanto o episódio é conhecido da população e como repercutiu a explicação de Flávio de que seu contato com o ex-banqueiro, investigado por fraude financeira, se limitou a um pedido de patrocínio para o filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O levantamento deverá medir também o quanto o discurso dos adversários contra Flávio teve adesão nas redes sociais e no eleitorado.
O núcleo duro da campanha admite que as mensagens de Flávio com Vorcaro abrem uma frente de crise, mas avalia não ser suficiente, neste momento, para inviabilizar a candidatura do filho de Bolsonaro.
A ordem é manter a rotina de pré-campanha normalmente, incluindo agendas pelo país, demonstrando tranquilidade e reforçando a defesa de uma CPI do Banco Master.
Nesta quarta-feira (13), o site Intercept Brasil divulgou reportagem afirmando que Flávio negociou diretamente com Vorcaro um repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro. A publicação cita áudios, mensagens e documentos atribuídos às conversas entre os dois.
Diante da notícia, Flávio convocou uma reunião de emergência com a pré-campanha. Como mostrou a CNN, na conversa o pré-candidato à Presidência disse que é "zero" o risco de novos vazamentos ligando-o ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. E afirmou que as únicas tratativas com o ex-banqueiro foram para falar do patrocínio para a produção.
A CNN mostrou também que a revelação do áudio e mensagens pegou de surpresa e irritou integrantes da campanha. Em meio ao potencial do escândalo da fraude financeira atingir políticos, o núcleo duro da campanha questionou Flávio por diversas vezes se havia algum risco de encontrarem algo ligando-o a Vorcaro. O senador negou reiteradamente, segundo relatos à CNN.
Em nota divulgada nesta quarta-feira, Flávio Bolsonaro se defendeu dizendo que só conheceu o ex-banqueiro em 2024, quando o governo Bolsonaro não estava mais no poder. Ele voltou a defender a instalação da CPI do Banco Master e reafirmou que o contato foi apenas para buscar recursos privados para o filme em homenagem ao pai.
"É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro", disse.
O senador disse ainda que o contato foi feito apenas para cobrar a retomada do pagamento das parcelas de patrocínio para a conclusão do filme. "Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do Master já", concluiu.
CNN Brasil