Em vez de se recolher diante da crise, o senador Flávio Bolsonaro adotou a estratégia de contra-ataque e passou a liderar a pressão pela instalação imediata da CPI do Banco Master. O argumento é direto: se o governo quer investigar, que investigue tudo — inclusive as relações do próprio Planalto com Daniel Vorcaro. O senador afirmou que a CPI é fundamental para "separar os inocentes dos bandidos" e que está pronto para prestar todos os esclarecimentos necessários perante o colegiado.
A ofensiva do PL mira um ponto sensível para o governo: as múltiplas conexões do Banco Master com figuras ligadas ao PT e ao Centrão governista. A oposição lembra que o BRB, banco estatal do Distrito Federal, aprovou a compra do Master em operação que levantou suspeitas sobre favorecimento político. Além disso, o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, preso nesta quinta-feira na sexta fase da Operação Compliance Zero, fez doação de um milhão de reais ao diretório do Partido Novo em Minas Gerais — indicando que as relações do banqueiro se estendiam a diversos espectros políticos. O deputado Eduardo Bolsonaro publicou nas redes sociais o comprovante da doação para reforçar a tese de que Vorcaro distribuía recursos a políticos de todos os lados.
Aliados de Flávio também questionam o vazamento do áudio. O deputado José Medeiros protocolou requerimento pedindo informações ao Ministério da Justiça sobre o que chamou de "instrumentalização política" do caso. A pergunta central é: como um áudio supostamente sob sigilo de investigação chegou à imprensa justo no momento em que Flávio liderava as pesquisas para o segundo turno? O advogado e ex-chefe da Secom Fabio Wajngarten minimizou o episódio: "Todo frenesi durará poucos minutos. Se acalmem".
A estratégia busca transformar Flávio de réu em fiscal. Ao exigir a CPI com veemência, o senador tenta recuperar a iniciativa política e devolver a pressão ao governo, reposicionando-se como quem não tem nada a esconder. A leitura do PL é que, se o caso for investigado a fundo, as ligações do Master com o governo Lula serão proporcionalmente mais danosas do que o financiamento de um filme privado.