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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em dezembro de 2019 — Foto: Ana Paula Paiva/Valor
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Grupo de Vorcaro usava delegada para ter acesso a dados da PF

A Polícia Federal identificou que integrantes da organização investigada no caso do Banco Master realizaram consultas indevidas em sistemas internos da corporação para obter informações sigilosas. A descoberta consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026. Nesta etapa, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Entre os presos está Henrique Vorcaro, pai do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Segundo a investigação, policiais federais da ativa e aposentados acessaram ilegalmente bancos de dados internos da PF e compartilharam informações reservadas com o grupo ligado a Vorcaro. A decisão aponta que a organização mantinha um braço específico voltado à obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais, vinculado ao núcleo conhecido como "A Turma", apontado pela PF como responsável por ameaças, monitoramento clandestino e intimidações presenciais contra adversários do banqueiro.

Entre os investigados está o agente da PF Anderson Wander da Silva Lima, suspeito de realizar consultas indevidas nos sistemas internos da corporação e repassar informações ao grupo. Uma delegada da PF também foi afastada do cargo. Além deles, a PF aponta o papel de Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Felipe Mourão" e apelidado de "Sicário", que coordenava as atividades de vigilância e coleta de dados mediante uso de credenciais funcionais de terceiros, acessando bases restritas de órgãos públicos, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais como a Interpol.

Os investigados podem responder por crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional. Foram determinadas ainda ordens de afastamento de cargos públicos e de sequestro e bloqueio de bens. A operação é a sexta fase da Compliance Zero, que desde novembro de 2025 investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o Banco Master.

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