A cúpula do Partido Liberal reagiu com unidade institucional à crise provocada pelo vazamento do áudio de Flávio Bolsonaro. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, foi categórico ao afirmar que "não há qualquer chance" de a sigla trocar seu candidato presidencial para as eleições de outubro. O coordenador de campanha, senador Rogério Marinho, reuniu-se com Flávio e Valdemar em Brasília na noite de quarta-feira para traçar a estratégia de resposta, e a orientação é clara: reforçar que se trata de dinheiro privado para um projeto privado, sem nenhum centavo de recurso público ou Lei Rouanet.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, divulgou nota oficial em que classificou as explicações de Flávio como "claras, coerentes e objetivas" e afirmou que a bancada "permanece unida e confiante" na conduta do senador. Segundo Cavalcante, o episódio está sendo explorado para construir uma "narrativa política artificial" contra adversários do governo. O deputado Cabo Gilberto endossou o argumento e disse que a revelação é "uma tentativa desesperada de criar desgaste político contra a família Bolsonaro". O partido aposta que o tema perderá força à medida que a agenda legislativa retome o protagonismo.
Flávio Bolsonaro, em nota, sustentou que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado e não existiam acusações nem suspeitas públicas contra o banqueiro. O senador ressaltou que a iniciativa partiu de "um filho procurando patrocínio para contar a história do próprio pai" e que a relação era estritamente contratual. Aliados reforçam que o pedido de financiamento para produções audiovisuais a empresários é prática comum no mercado e não configura nenhuma irregularidade legal.
A avaliação interna do PL é de que o impacto inicial será forte, mas contornável. O partido já previa que Lula poderia abrir até quatro pontos nas pesquisas que serão divulgadas até junho. A aposta é que o eleitor bolsonarista fiel — que representa a base consolidada de Flávio nas pesquisas — não abandonará o candidato por conta de um financiamento privado, e que a crise pode até fortalecer a mobilização da base ao reforçar a narrativa de perseguição midiática.