O Intercept Brasil revelou nesta quinta-feira (15) novos detalhes sobre o caminho do dinheiro de Daniel Vorcaro até o filme "Dark Horse", a cinebiografia de Jair Bolsonaro. A reportagem aponta que Eduardo Bolsonaro esteve mais próximo do fluxo de recursos do que a versão oficial da família admite. A reportagem afirmou:
"O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, atuou como produtor-executivo de “Dark Horse”, o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, com responsabilidades e poder sobre a gestão financeira do projeto, segundo um contrato assinado por ele e diálogos obtidos com exclusividade pelo Intercept Brasil.
Os registros contradizem afirmações feitas por Eduardo Bolsonaro em uma publicação no Instagram na quinta-feira, 14, sobre sua relação com o filme e colocam o deputado federal cassado como uma peça-chave com poder na tomada de decisões, inclusive financeiras, sobre o filme que conta a história do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro."
Segundo o site, os repasses de Vorcaro — que totalizaram R$ 61 milhões, de um acordo de US$ 24 milhões — foram direcionados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e controlado por aliados de Eduardo. O advogado que administra o fundo é descrito por Flávio Bolsonaro como "pessoa de confiança" do irmão.
Vale lembrar que, na noite de ontem (14), Flávio afirmou à GloboNews que existia um contrato formal entre Vorcaro e a produção, com cláusula de confidencialidade. Interlocutores de Eduardo, no entanto, negaram a existência de qualquer contrato, segundo a colunista Mariana Sanches, do UOL.
Eduardo, que mora nos EUA desde fevereiro de 2025 e não voltou ao Brasil, disse que seu status migratório o impediria de receber dinheiro do fundo. A PF investiga se os recursos serviram para custear as despesas dele no exterior, e não apenas o projeto cinematográfico.
A produtora executiva do filme, Karina Ferreira da Gama, já era alvo de questionamentos. O Intercept havia revelado em dezembro de 2025 que sua ONG, o Instituto Conhecer Brasil, recebeu R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo em contrato sem concorrência para instalação de pontos de Wi-Fi.
O caso amplia a crise na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e levanta uma pergunta que a família ainda não respondeu de forma coerente: para onde foi, de fato, o dinheiro de Vorcaro.
Com informações do Intercept Brasil.