Passada a surpresa pelo conteúdo de audio e mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, a gente começa a se questionar: por que só com o pré-candidato da direita, líder das pesquisas pela Presidência da República? Afinal, não é de hoje que é público e notório que Vorcaro teve relações com Hugo Motta, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski, contudo, apenas Flávio Bolsonaro teve mensagens divulgadas.
De acordo com levantamento do Poder360 e dados enviados à CPMI do INSS, o celular de Vorcaro continha ao menos 84 contatos de autoridades dos Três Poderes. Além disso, se a Polícia Federal extraiu dados de 7 celulares de Daniel Vorcaro, por que apenas o material envolvendo Flávio Bolsonaro foi vazado para a imprensa?
Vorcaro não era apenas um banqueiro que conversava com um senador sobre um filme. Era um operador que mantinha relações com os mais altos escalões do Judiciário, do Legislativo e do Executivo. As mensagens com Moraes, por exemplo, sugerem um nível de proximidade que, se confirmado, seria infinitamente mais grave do que qualquer negociação de patrocínio cinematográfico — afinal, Moraes integra o tribunal que julga ações envolvendo o sistema financeiro.
No entanto, o que o Intercept escolheu publicar? Apenas e exclusivamente o material que prejudica o principal pré-candidato da oposição, a cinco meses das eleições.
A defesa do próprio Vorcaro já denunciou os "vazamentos seletivos" e pediu ao STF a abertura de inquérito para investigar a origem dos vazamentos. O deputado José Medeiros (PL-MT) protocolou requerimento ao Ministério da Justiça apontando "instrumentalização política" do caso. O deputado Hélio Lopes (PL-RJ) oficiou o TSE e o ministro André Mendonça pedindo investigação sobre os vazamentos.
Não se trata de defender ou condenar Flávio Bolsonaro. Contudo, se há material sensível envolvendo ministros do STF, ministros de Estado e presidentes de tribunais no celular de Vorcaro — e esse material está sob custódia da PF e da CPMI — por que apenas o conteúdo politicamente útil contra a direita chega à redação do Intercept?